A região de Valência enfrenta uma das piores tempestades em décadas, com centenas de vítimas fatais

Sabrina Oliveira Publicado em 31/10/2024, às 12h32
Na última semana, chuvas intensas atingiram o sudeste da Espanha, especialmente a região de Valência, onde a população enfrenta uma das maiores tragédias naturais das últimas décadas. A tempestade, que trouxe mais de 300 mm de chuva em algumas horas, deixou um saldo de, ao menos, 158 mortes e dezenas de desaparecidos, conforme relataram autoridades locais. Equipes de emergência e voluntários continuam empenhados em resgatar moradores que ficaram isolados ou presos em áreas afetadas pela inundação.
De acordo com Angel Victor Torres, ministro de Política Territorial e Memória Democrática da Espanha, as inundações se espalharam rapidamente, destruindo pontes, estradas e residências. Em Valência, o cenário é descrito como devastador: ruas foram transformadas em rios, veículos foram arrastados pela correnteza e, em muitos locais, a água invadiu o primeiro andar de prédios e residências. “Foi como se uma represa tivesse rompido”, comparou Emiliano García-Page, presidente do governo regional de Castela-La-Mancha, ao comentar a intensidade da chuva.
Em Málaga e Castela-La-Mancha, outras cidades duramente atingidas, a situação não é menos dramática. Muitos moradores foram forçados a buscar refúgio nos telhados de suas casas, enquanto aguardavam por socorro durante a madrugada. Imagens compartilhadas nas redes sociais e por agências de resgate mostram cenas angustiantes de pessoas presas sobre carros capotados, ruas tomadas pela lama e veículos amontoados, como se um tsunami tivesse varrido a cidade.
Entre as vítimas, uma parcela significativa é de pessoas que estavam em suas casas ou em veículos no momento em que as águas começaram a subir. Em Paiporta, cidade próxima a Valência, ao menos 40 pessoas perderam a vida, incluindo seis residentes de uma casa de repouso. A Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (AEMET) informou que este é o evento de “gota fria” mais severo já registrado na região no século XXI, fenômeno climático que ocorre quando uma massa de ar frio se isola na atmosfera e intensifica a precipitação.
A crise mobilizou centenas de socorristas e, segundo o governo espanhol, mais de 1.000 militares foram enviados para as regiões afetadas para auxiliar nas operações de resgate. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que todos os recursos necessários serão utilizados para ajudar as vítimas e pediu à população que permaneça vigilante, uma vez que as previsões indicam a possibilidade de novas chuvas.
Em meio à destruição, muitos relatos trazem a luta pela sobrevivência. Petruta Sandu, uma moradora de Valência, compartilhou seu drama ao relatar que perdeu contato com seus pais, que ficaram presos no carro durante a enchente. Seu cunhado caminhou quase sete quilômetros, com água até os joelhos, para tentar resgatá-los, mas sem sucesso. “Estamos desesperados. Não sabemos onde eles estão”, desabafou Petruta.
Além das perdas humanas, o impacto nas infraestruturas locais é vasto. Rodovias foram interditadas, serviços de transporte suspensos e escolas, museus e bibliotecas permanecem fechados. As autoridades também transformaram um tribunal em Valência em necrotério temporário, com o objetivo de lidar com o número elevado de vítimas, à medida que o trabalho de resgate continua.
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