O presidente dos EUA, Donald Trump, anuncia cessar-fogo entre Israel e Irã, mas confrontos continuam a ocorrer na região

William Oliveira Publicado em 24/06/2025, às 12h13
Na manhã desta terça-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a manutenção de um cessar-fogo entre Israel e Irã, em meio ao 12º dia de um conflito que reacendeu as tensões geopolíticas no Oriente Médio. Segundo ele, a trégua estaria em vigor até ao menos as primeiras horas do dia.
“Israel não realizará ataques ao Irã. Nossos aviões voltarão para casa, saudando amistosamente o Irã com um 'aceno de avião'. Ninguém sairá ferido; o cessar-fogo está em vigor”, declarou Trump por meio de uma rede social.
Apesar da declaração, confrontos armados continuaram a ocorrer. Autoridades iranianas celebraram o que consideram uma “vitória diplomática” sobre Israel, alegando que Tel Aviv teria recorrido aos Estados Unidos para negociar um acordo de cessação das hostilidades.
Contudo, o governo iraniano negou oficialmente qualquer aceitação dos termos impostos pelo cessar-fogo. Em comunicado, denunciou que Israel realizou novos bombardeios na noite de segunda-feira (24), resultando na morte de civis e na destruição de infraestrutura em território iraniano.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter lançado 14 mísseis contra alvos militares em Israel. Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), a maioria dos projéteis foi interceptada, mas alguns atingiram a cidade de Berseba, deixando quatro mortos e causando destruição em edifícios residenciais.
O exército israelense confirmou a retaliação com uma ofensiva aérea sobre Teerã, empregando mais de 100 munições. Duas figuras de alto escalão da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, morreram nos ataques. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, acusou o Irã de violar o cessar-fogo e prometeu uma resposta firme.
Trump reconheceu que o cessar-fogo não foi plenamente respeitado por nenhum dos lados. Ele afirmou que o Irã deveria interromper as ofensivas antes que Israel encerrasse os últimos ataques autorizados dentro de um prazo estratégico.
Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, negou que existisse qualquer acordo estabelecido e condicionou uma possível trégua ao fim imediato dos bombardeios israelenses até às 4h, no horário local de Teerã.
Raízes da crise
O atual confronto se agravou após um ataque israelense a instalações nucleares iranianas no dia 13 deste mês. A crise ganhou dimensão internacional no sábado (21), quando os EUA bombardearam três usinas nucleares iranianas – Fordow, Natanz e Esfahan.
O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos e que estava em negociação com os EUA para reafirmar sua adesão ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) destacou que o Irã não tem cumprido todos os protocolos do tratado, ainda que não haja evidências conclusivas sobre a fabricação de armamentos atômicos.
A acusação foi rejeitada por Teerã, que denunciou viés político nas avaliações da AIEA. Embora os serviços de inteligência dos EUA tenham recentemente relatado que o Irã não estaria desenvolvendo ogivas nucleares, Trump contradisse essa informação em declarações recentes.
Israel, por sua vez, mantém uma postura cética e investiga a possibilidade de que o Irã tenha um programa nuclear secreto ativo desde a década de 1950, com suspeitas de que o país possua até 90 ogivas nucleares ocultas.
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