Governo cubano afirma que decisão leva em conta critérios humanitários e reforça tradição de libertações em períodos religiosos

Redação Publicado em 03/04/2026, às 14h12
O governo de Cuba anunciou um indulto para 2.010 prisioneiros, considerado um gesto humanitário em celebração à Semana Santa, refletindo uma prática comum no sistema penal do país sob a administração de Miguel Díaz-Canel.
Os beneficiados foram escolhidos com base em critérios como boa conduta, tempo de pena cumprido e saúde, excluindo condenados por crimes graves, como homicídio e tráfico de drogas.
Este é o quinto indulto desde 2011, com mais de 11 mil presos libertados, e ocorre em um contexto de reaproximação diplomática com os EUA, embora o governo não tenha confirmado vínculos diretos entre as negociações e as solturas.
O governo de Cuba anunciou a concessão de indulto a 2.010 pessoas privadas de liberdade, em uma medida classificada como “gesto solidário, humanitário e soberano”. A decisão foi vinculada às celebrações da Semana Santa e segue uma prática recorrente no sistema penal do país.
Segundo comunicado oficial, a seleção dos beneficiados levou em consideração fatores como boa conduta na prisão, tempo de pena já cumprido e condições de saúde. Entre os contemplados estão jovens, mulheres, idosos com mais de 60 anos, estrangeiros e cubanos residentes no exterior.
O anúncio ocorre durante o governo do presidente Miguel Díaz-Canel, que tem mantido a política de indultos periódicos como parte de uma estratégia institucional que mistura critérios jurídicos e gestos políticos.
Apesar da amplitude da medida, o governo cubano destacou que foram excluídos da lista condenados por crimes considerados graves, como homicídio, agressão sexual, tráfico de drogas, roubo com violência e reincidência criminal.
Este é o quinto indulto concedido desde 2011, período em que mais de 11 mil presos já foram beneficiados. Somente em 2026, esta é a segunda liberação em massa anunciada pelas autoridades cubanas.
Parte das solturas recentes inclui indivíduos detidos após os protestos de julho de 2021, que marcaram uma das maiores ondas de contestação ao governo nas últimas décadas. Organizações internacionais de direitos humanos acompanham de perto o processo e apontam que alguns dos libertados tinham motivação política em suas condenações.
O movimento também ocorre em meio a sinais de reaproximação diplomática com os Estados Unidos, embora o governo cubano não tenha confirmado ligação direta entre as negociações e as libertações.
Especialistas avaliam que a decisão pode ter impactos tanto internos — ao aliviar a pressão sobre o sistema prisional — quanto externos, ao reforçar a imagem de abertura em um momento de atenção internacional sobre direitos humanos na ilha.
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