Montante busca apoiar nações em desenvolvimento na adaptação aos efeitos cada vez mais severos do aquecimento global

William Oliveira Publicado em 24/11/2024, às 09h24
Após intensas negociações, a 29ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima das Nações Unidas (COP29) alcançou um consenso que prevê a alocação de ao menos US$ 300 bilhões anuais para combater as mudanças climáticas. Este montante busca apoiar nações em desenvolvimento na adaptação aos efeitos cada vez mais severos do aquecimento global, diminuir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar os danos causados por fenômenos climáticos extremos.
Embora os países em desenvolvimento tenham inicialmente pleiteado US$ 1,3 trilhão, o valor acordado representa uma significativa elevação em relação ao pacto anterior, firmado em 2009, que estipulava US$ 100 bilhões anuais. Este compromisso reforça as diretrizes do Acordo de Paris de 2015, que estabelece revisões quinquenais das metas de redução de emissões com o objetivo de conter o aumento da temperatura global a 1,5°C. Atualmente, o planeta já experimenta um aumento de 1,3°C em relação aos níveis pré-industriais, agravado pelas crescentes emissões de carbono.
O acordo não se limita a recursos públicos; ele visa também catalisar investimentos do setor privado e de instituições financeiras multilaterais. Nações desenvolvidas defendem que o aporte exclusivo de fundos públicos é insuficiente, enquanto países menos favorecidos expressam receios quanto à possibilidade de empréstimos exacerbando suas dificuldades econômicas.
"Os US$ 300 bilhões são apenas o início, mas representam um avanço para um futuro mais equitativo", declarou Ani Dasgupta, do Instituto de Recursos Mundiais. Após controvérsias sobre uma proposta inicial inferior, o documento final buscou convergência, com lideranças como as de Fiji enfatizando a premência de um acordo robusto.
Embora não mencione explicitamente a eliminação dos combustíveis fósseis, o tratado sublinha a importância da transição para energias limpas, refletindo o compromisso global com o enfrentamento das mudanças climáticas.
No âmbito das negociações, os países também estabeleceram um sistema internacional de créditos de carbono. Esse mecanismo permitirá que nações compensem suas emissões por meio de reduções realizadas em outras localidades. Os defensores afirmam que tal mercado poderia angariar até US$ 250 bilhões adicionais por ano para financiamento climático. No entanto, persistem preocupações sobre sua eficácia e potencial para abusos, com críticos apontando que as novas regras não preveem práticas inadequadas e poderiam permitir que grandes emissores continuassem suas atividades poluentes.
Com a conclusão deste acordo, enquanto se desmantelavam as estruturas temporárias do evento, os olhares já se voltam para a próxima rodada de discussões climáticas, programada para ocorrer em Belém, no Brasil.
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