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Luto

Cineasta e ex‑secretário do Audiovisual Silvio Da‑Rin morre aos 77 anos

Carreira de mais de 40 anos conta com documentários premiados e políticas culturais no governo Lula

Silvio Da‑Rin, documentarista e ex‑secretário do Audiovisual. - Imagem: Reprodução/ESDI-UERJ.
Silvio Da‑Rin, documentarista e ex‑secretário do Audiovisual. - Imagem: Reprodução/ESDI-UERJ.

Erika Osti Publicado em 29/01/2026, às 18h11


O cineasta, documentarista e ex‑secretário do Audiovisual Silvio Da‑Rin morreu na madrugada desta quinta-feira (29), aos 77 anos, no Rio de Janeiro, após longa internação hospitalar, segundo confirmou sua filha, a cineasta Maya Da‑Rin. Autor de obras que marcaram a história do cinema documental brasileiro, ele também contribuiu para políticas que fortaleceram o setor audiovisual no país.

Nascido em 1949, no Rio de Janeiro, Da‑Rin iniciou a carreira na técnica de som, participando de cerca de 150 produções nacionais. Entre os filmes que contou com sua contribuição estão Pequeno dicionário amoroso (1997), Mauá: O imperador e o rei (1999) e Quase dois irmãos (2004), obras relevantes na retomada do cinema brasileiro nas décadas de 1990 e 2000. Seus filmes abordaram temas sensíveis e estruturais, incluindo Paralelo 10, sobre povos indígenas isolados, e Missão 115, que trata do atentado do Riocentro em 1981.

Como diretor, estreou com o curta Fênix (1980), reunindo depoimentos de artistas sobre a repressão da ditadura militar. Em 1984, o curta Príncipe do Fogo, que retratava a vida de Febrônio Índio do Brasil, recebeu prêmio no Festival de Gramado. Seu reconhecimento maior veio com o documentário Hércules 56 (2006), que reconstitui o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick em 1969, episódio emblemático da resistência contra a ditadura.

Da‑Rin também teve papel central na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Entre outubro de 2007 e maio de 2010, foi secretário do Audiovisual no Ministério da Cultura, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob gestão de Gilberto Gil. Nesse período, ajudou a ampliar a presença da produção brasileira na televisão e a fortalecer o cinema independente.

Além da carreira artística e política, presidiu a Federação de Cineclubes e integrou a Associação Brasileira de Documentaristas. Publicou Espelho partido: tradição e renovação do documentário cinematográfico (2004), derivado de sua dissertação de mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, consolidando sua contribuição teórica ao cinema documental.

O velório está previsto para sexta-feira (30), às 16h, no cemitério São Francisco de Paula, no bairro do Catumbi, Rio de Janeiro.


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