A nova legislação busca regularizar pagamentos e reforçar o sistema previdenciário, apesar da oposição do presidente

Gabriela Thier Publicado em 21/08/2025, às 14h48
A Câmara dos Deputados da Argentina realizou um movimento sem precedentes ao rejeitar o veto do presidente Javier Milei sobre uma legislação essencial destinada ao aumento de recursos para pessoas com deficiência. Com um total de 172 votos a favor da derrubada, 73 contrários e duas abstenções, os legisladores conseguiram ultrapassar a barreira dos dois terços necessária para anular a decisão presidencial.
Originalmente aprovada em julho com um forte respaldo bipartidário, a lei visa regularizar pagamentos atrasados relacionados à assistência à saúde, revisar tarifas de prestadores de serviços até dezembro de 2027 e reforçar o sistema previdenciário voltado para esse grupo vulnerável. Adicionalmente, a nova legislação reestabelece a contribuição obrigatória de emprego para pessoas com deficiência e expande as atribuições da Agência Nacional de Discapacidade.
O presidente Milei sustentou seu veto com base em sua abordagem fiscal austera, argumentando que o aumento de gastos representaria uma ameaça à estabilidade econômica do país, mesmo alegando que já havia alcançado um superávit fiscal. Contudo, sua posição gerou uma onda de protestos nas ruas de Buenos Aires, onde manifestantes clamavam em defesa do projeto. Entre eles, Valentina Bassi expressou sua indignação ao lado do filho com deficiência, enfatizando em entrevista a uma emissora local que "a dignidade das pessoas com deficiência é um direito". A repercussão da sua fala alcançou também a mídia internacional, especialmente nos Estados Unidos, onde diversos veículos estão acompanhando a situação argentina.
A potencial confirmação da derrubada do veto pelo Senado poderá ter um impacto profundo na dinâmica política do país. Se tal revogação se concretizar, será um marco inédito na história recente do Congresso Argentino, simbolizando uma vitória significativa para os defensores dos direitos sociais. A pressão sobre os senadores aumenta à medida que o cenário econômico continua desafiador e as expectativas sobre a capacidade legislativa de moderar as medidas austeras do Executivo se intensificam. Uma nova votação no Senado será determinante para o futuro da legislação e poderá definir limites claros entre os poderes executivo e legislativo no país.
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