Setor turístico brasileiro vive auge com 7,6 milhões de visitantes internacionais

Gabriela Nogueira Publicado em 12/11/2025, às 15h08
O turismo brasileiro vive um momento de alta histórica. Entre janeiro e outubro de 2023, o país recebeu 7,68 milhões de visitantes estrangeiros, o maior número para o período desde o início da série histórica. O dado representa um crescimento de 42,2% em relação ao mesmo intervalo de 2022, segundo levantamento da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo).
A marca já supera em 11% a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo, que previa encerrar o ano com 6,9 milhões de turistas internacionais. Com base no ritmo atual, a Embratur estima que o país deve atingir 9 milhões de visitantes até o fim de 2023, consolidando um cenário de recuperação e expansão do setor.
Aviação em expansão impulsiona resultados
Para o coordenador de Demanda a Transportes Multimodais da Embratur, Philipe Karat, o crescimento reflete um conjunto de fatores: retomada das viagens pós-pandemia, aumento da conectividade aérea e investimentos estratégicos em infraestrutura. “O setor apresenta uma saúde sólida. As perspectivas para os próximos anos são promissoras, principalmente com o fortalecimento da aviação brasileira”, afirmou durante o Fórum EFE – Brasil em expansão, realizado em outubro.
Um dos exemplos desse avanço é o Aeroporto de Florianópolis, que atingiu recentemente a marca de 1 milhão de passageiros internacionais, tornando-se o terceiro terminal do país a alcançar esse patamar — ao lado dos aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). “O sucesso de uma capital de médio porte mostra o potencial de crescimento do turismo regional”, destacou Karat.
Cooperação e novos investimentos
O desempenho recorde é resultado de uma articulação conjunta entre o poder público, empresas aéreas e o setor privado. Karat enfatizou que o avanço não se deve apenas à alta na procura de países vizinhos, mas à coordenação entre diferentes instituições.
Entre os novos investimentos anunciados, a companhia aérea espanhola Iberia revelou planos de expandir suas operações na América Latina, com foco especial no Brasil a partir de 2026.
“O Brasil é um destino estratégico, não só pelo turismo, mas por seu potencial econômico e cultural”, afirmou Juan Cierco, diretor da empresa.
Transporte aéreo como motor do desenvolvimento
O crescimento do turismo internacional está diretamente ligado à ampliação da malha aérea. Segundo Alejandro Gómez Gil, diretor executivo da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, o transporte aéreo é fundamental para integrar as regiões do país.
“Dadas as dimensões continentais do Brasil e as limitações da infraestrutura terrestre, o avião é mais do que uma comodidade — é uma necessidade”, observou.
Ele destacou ainda que cerca de 7 milhões de brasileiros dependem das conexões aéreas internas para viagens de trabalho e lazer, o que fortalece tanto o turismo doméstico quanto o internacional.
Turismo sustentável e impactos locais
Além de movimentar a economia, o avanço do turismo tem reflexos sociais e ambientais. Karat ressaltou que a presença de visitantes estrangeiros estimula o desenvolvimento regional e incentiva a preservação ambiental. “O turismo sustentável pode ser uma alternativa ao desmatamento, valorizando a natureza e gerando oportunidades nas próprias comunidades locais”, afirmou.
O coordenador lembrou ainda que experiências culturais e esportivas fortalecem vínculos de longo prazo. “Durante a Copa do Mundo, a seleção alemã treinou na Bahia. Hoje, empresas e ONGs alemãs investem na região. O turismo cria pontes que vão além do lazer.”
Perspectiva de futuro
Para a Embratur, o crescimento do turismo internacional depende também da consolidação do turismo doméstico, que vem se fortalecendo nos últimos anos. Destinos como Caldas Novas (GO) e Porto Seguro (BA) estão entre os principais exemplos de polos que podem atrair mais estrangeiros por meio de parcerias com companhias aéreas internacionais.
“O Brasil está mais conectado e preparado para receber visitantes do mundo todo. Esse é um momento histórico, mas também uma oportunidade para planejar um crescimento duradouro e equilibrado”, concluiu Karat.
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