Conflitos em Gaza e Sudão são os principais culpados, alerta OCHA

Gabriela Thier Publicado em 22/11/2024, às 16h46
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) divulgou, nesta sexta-feira (22), dados alarmantes que revelam um recorde trágico: 2024 tornou-se o ano mais mortal para trabalhadores humanitários desde o início dos registros. A cifra atingiu 281 mortes, superando o recorde anterior de 280 óbitos em 2023, conforme informações do banco de dados Aid Worker Security, que monitora incidentes desde 1997.
O conflito na Faixa de Gaza é apontado como o principal responsável por esse aumento expressivo, com 178 trabalhadores humanitários perdendo a vida nos territórios palestinos ocupados. Este cenário configura-se como o conflito mais letal enfrentado pelas Nações Unidas até o momento. Além disso, outras 25 mortes foram registradas no Sudão.
Jens Laerke, porta-voz do OCHA, expressou sua indignação em uma coletiva de imprensa realizada em Genebra: "Essas pessoas estão fazendo o trabalho de Deus e estão sendo mortas como resposta. Que diabos?"
O levantamento destaca que a maioria das vítimas eram colaboradores locais; entre elas, 13 eram profissionais internacionais. A legislação internacional garante proteção aos trabalhadores humanitários, contudo, os especialistas destacam a raridade de julgamentos nesses casos. Obstáculos como dificuldades em assegurar acesso contínuo às zonas de conflito e a complexidade de provar intenções criminosas são citados como principais barreiras para a responsabilização judicial.
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