
por Marcus Vinícius De Freitas
Publicado em 12/07/2023, às 06h36
Prever o futuro é uma das coisas mais difíceis que existe. Esta capacidade é chamada de dom da profecia. Na política, observamos algumas previsões que foram proféticas. Maquiavel, por exemplo, em 1513, acreditava que a unificação da Itália era essencial para o futuro do país. Foram necessários 350 anos para que isso acontecesse. Kant entendia a necessidade de repúblicas constitucionais para a pacificação do continente europeu 150 anos antes do estabelecimento da União Europeia. E, por fim, Tocqueville previa um mundo dividido entre Estados Unidos e Rússia muito antes da Guerra Fria.
Prever o futuro é resultado de uma observação da realidade presente e uma projeção desta numa época posterior. O acerto na projeção pode levar a avanços importantes na vida de uma nação. Quando se planeja mais – e se executam os planos – maiores são as possibilidades de as projeções se tornarem realidade. A China é um exemplo de planejamento que tem transformado a realidade do país. Deng Xiaoping, acertadamente, previa um papel crescente da China na realidade global a partir de um crescimento substancial da renda per capita daquela nação asiática.
Um dos grandes desafios existes no Brasil é a dificuldade de projetar-se o futuro do País. Decisões erráticas, um debate político arcaico e a falta de um imaginário coletivo sobre as potencialidades do Brasil em seu futuro frustram as expectativas e forçam o País a, repetidamente, somente ter pequenos voos de galinha. Ademais, existe um clima de derrotismo quanto ao futuro do País que o condena a sempre se apequenar em todas as situações.
Quem chega ao Brasil e assiste ao debate eleitoral terá a impressão de que pousou na Rússia em 1917, quando nas ruas se falava intensamente sobre a questão da luta de classes. De um e do outro lado, ouve-se a ladainha do discurso sobre a luta de classes e como cada lado do espectro político pretende governar para os pobres. O Brasil sobreviveu as experiências, à esquerda e à direita, e não melhorou substancialmente.
Infelizmente, esse discurso, há tanto tempo presente na política brasileira, não melhorou a vida dos brasileiros como deveria. Ainda abunda a pobreza e, para um país que é uma das maiores economias do mundo, vemos coisas de economias extremamente subdesenvolvidas. O Estado brasileiro, em muitas coisas, poderia ser considerado falido, particularmente se considerarmos o quanto somos obrigados a pagar extra por serviços que deveriam ser minimamente realizados bem pelos governos. O Brasil é uma país extremamente caro para os seus cidadãos. Para um país que é uma máquina agrícola global, o preço dos alimentos chega a ser uma aberração, particularmente considerando o baixo poder aquisitivo de grande parte da população.
Os políticos – que deveriam ser os agentes de mudança deste cenário – somente falam em criar mais programas sociais, dar mais aos “pobres” em razão das suas condições adversas. De fato, o que notamos é que se está pagando, com cartão de crédito, as dívidas do presente, sem qualquer responsabilidade com aqueles que virão a seguir. E que a preocupação com os menos favorecidos é simplesmente de cunho eleitoral e não de uma melhoria efetiva de abandono da pobreza e melhoria das condições sociais no longo prazo.
O Brasil tem falhado no contrato de gerações. A geração atual, no poder, deixará uma dívida enorme aos jovens que terão de pagar por um cenário ainda mais complicado. Em menos de 20 anos, a irresponsabilidade fiscal de um Estado provedor de inutilidades passará por uma recessão profunda e desemprego, com um enorme impacto sobre a estabilidade social da época.
O que fazer então? O Brasil tem de sair do caminho e facilitar o caminho do empreendedorismo, fomento ao capitalismo e estímulo à formação de pequenas e médias empresas. Estas sim, as grandes criadoras de emprego. No Aeroporto Internacional de Dubai, há uma frase do Sheik Rashid Saeed al Maktoum, o grande responsável pela transformação daquela terra desértica: “O que é bom para os comerciantes, é bom para Dubai”. Quem dera a classe política brasileira tivesse uma perspectiva que incentivasse mais crescimento econômico e o empreendedorismo e falasse menos em luta de classes e num Estado provedor! Além disso, as ideias quanto ao fomento da competitividade e produtividade parecem repetir as fórmulas equivocadas de décadas passados. Muitos ainda acreditam que o segredo da competitividade do Brasil deve estar atrelada, por exemplo, somente ao câmbio baixo. Com isto, condenam os brasileiros a pagarem fortunas por produtos importados e a não poderem viajar para privilegiar poucos setores e grupos econômicos com recursos da exportação.
O discurso da luta de classes pode render votos, ainda, em razão do baixo nível educacional do País. No entanto, esse discurso, eventualmente, quebrará a economia do Brasil. O País precisa de rejuvenescimento, educação, capitalismo, mérito e estímulo ao empreendedorismo.
Qual é a previsão que temos para o Brasil no futuro? Como estará o Brasil daqui a 20, 30 ou 50 anos? Se a perspectiva é de que o País não será muito diferente do que é hoje, é hora de, efetivamente, trocar os atores que estão conduzindo o país. Para o jovem, a resposta a essas perguntas é essencial para prever seu futuro, imaginar sua vida e decidir quanto à permanência ou não no País.
Em 14 de julho de 1789, os franceses fizeram a maior revolução da história e alteraram o rumo de sua nação. Será possível ao Brasil ter evolução sem revolução? O que prever para o Brasil?

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