
por Marcelo Emerson
Publicado em 22/06/2023, às 08h50
O mundo da música pesada ficou em polvorosa com a notícia da regravação dos dois primeiros trabalhos de estúdio da banda Sepultura pelos irmãos Max e Iggor Cavalera. Eles registraram novamente as músicas do Morbid Visions" (1º álbum completo lançado em 1986) e "Bestial Devastation" (1º EP lançado originalmente em 1985). Gostar ou não do resultado sonoro da empreitada fica restrito ao gosto pessoal de cada um, mas o fato é que os alguns fãs levantaram uma questão sensível nas redes sociais: e como fica a situação do Jairo Guedz? O guitarrista foi fundamental para estabelecer as bases do Sepultura naquela primeira fase da banda e sua contribuição à sonoridade da banda ficou registrada para a posteridade naqueles primeiros álbuns. A despeito disso, as regravações não contam com a participação do guitarrista que hoje integra a banda The Troops of Doom ao lado de Alex Kafer (baixo e vocal), Marcelo Vasco (guitarra) e Alexandre Oliveira (bateria).
O ponto que quero destacar aqui é: alguém perguntou ao guitarrista se ele realmente quis participar de tais regravações?
Jairo Guedz não é apêndice dos irmãos Cavalera. Parte do público tende a pensar que ele está à disposição como um objeto numa prateleira, esquecendo que Jairo tem vida artística própria. Citando um exemplo, o período em que integrou a banda The Mist nos anos 90 gerou um álbum sensacional, o “The Hangman Tree” (se a justiça fosse a maior virtude desse mundo, esse disco estaria num pedestal ao lado dos grandes do metal da época).
Atualmente, Jairo Guedz faz parte da The Troops of Doom, uma das bandas brasileiras mais aclamadas pelos fãs de música extrema.
Será que regravar aqueles trabalhos consagrados seria uma grande meta profissional para o Jairo nesse momento de sua vida? Em que medida seria vantajoso dos pontos de vista comercial e artístico colocar a The Troops num modo “pausa” para se submeter às agendas dos irmãos Cavalera?
Qual seria o valor artísticoe comercial da postura do Jairo Guedz caso ele resolvesse interromper uma das fases mais prolíficas de toda a sua carreira artística apenas para saciar a nostalgia de uma pequena parcela das saudosistas “viúvas” do Sepultura “ das antigas”?
Minha resposta é negativa para todas as questões descritas acima. Repito: Jairo Guedz tem vida artística própria e não é apêndice dos irmãos Cavalera.
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