
por Marcelo Emerson
Publicado em 10/08/2023, às 08h53
A coluna de hoje traz um daqueles textos que poucos realmente gostam de escrever, mas que necessitam ser escritos: um artigo em honra e memória de um grande artista que nos deixa. Escrevo sobre Claudio Lopes, fundador e baixista da lendária banda Dorsal Atlântica.
Na madrugada de sábado para domingo (6/8/23), o músico brasileiro padeceu de uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Claudio Lopes tinha 59 anos de idade e deixa um legado na música pesada brasileira. Em 1981, criou a banda Dorsal Atlântica ao lado do irmão, o icônico guitarrista e vocalista Carlos Lopes. Ainda muito jovens, adotaram pseudônimos típicos do cenário do heavy metal: Carlos “Vândalo” e Claudio “Cro-Magnon”.
Carlos Lopes assumiu a posição de porta-voz da banda e lidera a instituição até hoje. Claudio teve idas e vindas, mas eternizou seu nome no EP de estreia “Ultimatum” (1985) e nos álbuns “Antes do Fim” (1986), “Dividir e Conquistar” (1988), “Searching for the Light” (1990), “Musical Guide from Stellium” (1992), “Alea Jacta Est” (1994), “2012” (2012), “Imperium” (2014), “Canudos” (2017) e “Pandemia” (2021).
A banda Dorsal Atlântica foi uma das pioneiras da música pesada brasileira, tendo influenciado gerações de músicos. É notório o relato de Max Cavalera, dando conta que resolveu criar a banda Sepultura após assistir um show da banda dos irmãos Carlos e Claudio Lopes. Lembrando que o Sepultura é o grupo brasileiro que atingiu a maior popularidade no exterior, a partir dos anos 90.
Enquanto Carlos Lopes se desenvolvia como um frontman e letrista intelectualizado e contestador, Claudio se firmava como “o cara gente boa” sempre pronto para confraternizar com amigos e fãs.
Talvez as gerações não consigam mensurar a real importância da Dorsal Atlântica para a música pesada. Numa época em que um músico era um verdadeiro artista, antes de ser um produto que cria música sob marcas comerciais, Claudio Lopes, como integrante da Dorsal Atlântica, contribuiu para expandir a os limites da música produzida no Brasil.
Celebremos a memória e o legado de um artista que escreveu seu nome na história da música pesada. Descanse em paz, Claudio Lopes
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