
Marcelo Emerson Publicado em 29/09/2022, às 08h59
Caminhamos para o fim do mês, mas ainda é tempo de destacar uma campanha extremamente relevante: Setembro Amarelo. Trata-se da maior campanha anti-estigma do mundo.
Falar sobre suicídio é sempre um desafio, pois o tema é um dos maiores tabus que existem em nossa sociedade. A dificuldade para tratar do tema publicamente faz parte do problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já constatou que na totalidade dos casos há alguma relação com doenças mentais, de modo que, se a maioria das pessoas que põe fim à própria vida tivessem acesso a tratamento psiquiátrico e informações de qualidade, muito provavelmente a situação letal poderia ter sido evitada.
O site oficial da campanha destaca que: “É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha”.
As religiões, em geral, atuam para tornar o tabu ainda mais acentuado, pois há fiéis que se preocupam mais em julgar do que em salvar. Estigmatizam pessoas e famílias que enfrentam problemas desta espécie, gerando medo e vergonha naqueles que precisam falar abertamente sobre esta importante questão de saúde pública.
Culturalmente, há ambientes que agravam ainda mais os problemas psiquiátricos de algumas pessoas, como ocorre em certos setores do mundo corporativo, onde verdadeiros sociopatas em posições de gerência ou direção abusam de seu privilégio hierárquico para impor pressão mental desmedida sobre os subordinados, em casos patentes de assédio moral.
Recentemente, tornou-se célebre o caso de estagiário de Direitoque tentou suicídio atirando-se do 7º andar do edifício onde se localiza a sede de um dos mais renomados escritórios de advocacia do Brasil.
O Portal Direito News obteve acesso a mensagens de redes sociais que relatam os fatos que precederam a tentativa de suicídio do jovem, que estava: “sofrendo muita pressão, trabalhando com prazos bizarros para cumprir e que no final do dia, após perder um prazo, recebeu uma bronca de uma das sócias que foi a gota d’água, quebrou a tranca da varanda e pulou”.
O escritório emitiu nota pública lamentando o ocorrido e informando que o jovem havia sobrevivido e permanecia sob cuidados médicos no hospital.
Manual do Conselho Federal de Medicina estabelece que: “A prevenção do suicídio deve ser também um movimento que leva em consideração o biológico, psicológico, político, social e cultural, no qual o indivíduo é considerado como um todo em sua complexidade”.
O alerta está ligado!
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