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COLUNA

Crise climática traz prejuízos trilionários à saúde global e ameaça gerações futuras

Relatório do Banco Mundial aponta custos que ultrapassam US$ 21 trilhões e destaca a urgência de políticas públicas integradas no Brasil

A conta da crise climática na saúde pode ultrapassar US$ 21 trilhões até 2050 - Imagem: Divulgação / Palácio do Planalto
A conta da crise climática na saúde pode ultrapassar US$ 21 trilhões até 2050 - Imagem: Divulgação / Palácio do Planalto
Mara Machado

por Mara Machado

Publicado em 27/11/2024, às 10h28


As mudanças climáticas estão afetando a gestão pública em diferentes frentes simultaneamente. Elas exercem pressões significativas sobre o sistema de saúde, ao mesmo tempo em que prejudicam a sua capacidade de resposta. Para agravar ainda mais a situação, a crise climática está deteriorando rapidamente o acesso às necessidades humanas básicas, como segurança alimentar, água potável e saneamento e ar limpo.

É importante notar que as alterações climáticas não representam apenas uma crise ambiental. Elas configuram uma crise de saúde, que exige parcerias intersetoriais eficazes e soluções inovadoras. Essa situação vem se tornando cada vez mais evidente nas últimas décadas, com consequências como aumento de doenças relacionadas ao calor, alteração dos padrões de doenças, comprometimento da segurança alimentar e hídrica, além do sofrimento mental relacionado ao cenário. 

O resultado, de acordo com novos dados do Banco Mundial, é que as mudanças climáticas podem levar a custos excessivos de saúde em países de baixa e média renda, de pelo menos US$ 21 trilhões até 2050, o equivalente a aproximadamente 1,3% do PIB projetado.

No Brasil, poucos esforços estão sendo feitos para incorporar as mudanças climáticas nas políticas de saúde. Poucos investimentos em tecnologias inovadoras, infraestrutura de saúde resiliente ao clima e desenvolvendo de pesquisas junto as agências climáticas, para fornecer evidências de alta qualidade para tornar o sistema de saúde resiliente.

Esforços isolados para o fortalecimento do sistema de saúde contra riscos climáticos estão em andamento, mas obstáculos persistem. Para que medidas abrangentes sejam realmente implementadas de maneira efetiva, é preciso aperfeiçoar as políticas públicas, ampliar os recursos disponíveis e a integração das ações em saúde voltadas ao impacto das mudanças climáticas.

A saúde sustentável é uma prática para melhorar a saúde e o bem-estar de todos. Não é um pré-requisito para atingir a agenda 2030, é o trabalho e a jornada em direção a um mundo no qual todos, em todos os lugares, possam viver uma vida saudável e plena.

A extensão em que as gerações atuais e futuras serão impactadas pela crise climática depende das escolhas que fizermos hoje.


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