Facção criminosa tenta driblar a Justiça com pedido de recuperação judicial

por Leandro Mazzini
Publicado em 13/09/2024, às 09h00
Como terra da jaboticaba, sem igual no mundo, o Brasil segue sua sina de protagonizar situações que só acontecem aqui: agora, até o crime organizado pede... recuperação judicial. Explico: denunciada pelo Instituto Combustível Legal (ICL) e amplamente divulgada como uma empresa braço da facção PCC no setor de postos de gasolina, a formuladora Copape - cercada por diferentes autoridades - vai pedir “arrego” numa vara empresarial para tentar ganhar fôlego, dar calote em fornecedores e seguir operando. Mas todos já estão de olho, até a Polícia Federal.
No documento ao qual a Coluna teve acesso, os donos (ou supostos donos) da Copape começam dando um tiro no tanque de combustível: reclamam de uma perseguição da Agência Nacional de Petróleo (ANP), justamente o maior órgão licenciador e fiscalizador para seu produto. A ANP, como notório, cassou a licença da Copape há semanas, mas muito bem embasada. Já noticiamos que o Ministério Público Federal denunciou a empresa por lavagem de dinheiro e a Justiça acaba de tornar réus alguns de seus donos. Cito alguns – porque ainda há suspeitas sobre o poderos Beto Louco, que, para a polícia, é o verdadeiro dono da empresa e ligado à facção criminosa.
Nas suas lamúrias na tentativa de convencer o(a) juiz(a) da vara empresarial na qual vai protocolar o pedido de recuperação, a Copape contratou um dos maiores escritórios criminalistas do Brasil. Gasta lábia de forma duvidosa: Informa que tem 56 empregados – mas que seriam 500 empregos indiretos. Que produz 95 milhões de litros de combustíveis/mês e que a paralisação das atividades causou um rombo já de R$ 830 milhões, até agora, junto a fornecedores (nada porém detalhado, meros números). Informa ainda que seus proprietários não têm condenação – mas se “esquecem” de citar que eles viraram réus na Justiça paulista.
Ainda não satisfeitos, outro tiro no escuro: a Copape insiste na tese de que o juizado empresarial teria poder para reverter a decisão administrativa da ANP, um órgão federal, na tentativa de retomar de imediato suas atividades. E involuntariamente dá uma excelente pista documental para a polícia: informa que sua rede própria é composta por 130 postos de combustíveis e outros 300 parceiros. A Secretaria de Segurança de São Paulo, que está atenta a tudo há mais de ano, vai seguir o mapa.

Leia também

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Detran-SP registra quase 500 mil multas por atraso na transferência de veículos

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Mais de 900 cobras venenosas vão parar nas ruas após enchente na China; vídeo é assustador

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares

PT pede ao STF que Bolsonaro perca prisão domiciliar após carta divulgada por Flávio

Hapvida amplia uso de energia renovável, avança em diversidade e consolida IA na assistência, mostra Relatório de Sustentabilidade

Caminhoneiros iniciam paralisação para pressionar Senado por votação da MP do Frete

Polícia investiga festa com fuzis que celebrou 19 anos do TCP no Complexo de Israel