
por Fábio Behrend
Publicado em 12/12/2025, às 08h31
Covardes, canalhas, bandidos... foi assim que milhares de paulistanos, pegos de surpresa pela paralização dos motoristas de ônibus na terça, se referiram ao sindicato da categoria. Se fossem só um pouquinho mais inteligentes e tivessem um pingo de consideração pela população, os sindicalistas protestariam de outro jeito, liberando as catracas, deixando a turma entrar nos ônibus pela porta de trás, sei lá. O prefeito entendeu muito bem que o que não pode é o povo ser prejudicado.
No final da tarde, quando as aglomerações começaram nos terminais, Ricardo Nunes assumiu o comando da crise, chamou sindicato e empresas à própria sala e gravou vídeo dirigido aos motoristas e cobradores, afirmando que os pagamentos da prefeitura estão em dia. “A questão desses empresários irresponsáveis, quem vai tratar com eles sou eu”, afirmou.
A reunião na prefeitura terminou depois das 22h. Um dos presentes relatou que o prefeito “chegou a subir o tom de voz e enquadrou todo mundo”. O resultado foi o fim da greve, um puxão de orelhas no sindicato e um recado bem claro para os empresários. “A empresa que não honrar o pagamento do 13º no dia 12, será notificada no dia 13 para início imediato do processo de caducidade. Ela será retirada do sistema”, avisou o prefeito, que foi dormir sabendo da ventania que chegaria à cidade no dia seguinte.
A ventania de quarta chacoalhou São Paulo inteira. Aneel e Enel foram notificadas pela prefeitura porque, mesmo com quase metade da cidade sem luz, o pátio da Enel estava cheio de veículos de manutenção parados. Os estragos mudaram a agenda de ontem do prefeito, que cancelou ida à Brasília e passou o dia acompanhando o trabalho das equipes da prefeitura pela cidade.
Durante a tarde, na Vila Mariana, Nunes recebeu o apoio dos moradores, que fizeram coro às reclamações recorrentes que ele faz contra a Enel há três anos. Equipes da prefeitura aguardaram 30 horas pela chegada de uma equipe da concessionária para desligar a energia, para que uma enorme árvore caída, que interditava toda a Av. Eça de Queiroz, pudesse ser removida. “A gente escutou a Enel falando que tem 1500 equipes. A gente pode afirmar categoricamente que isso não é verdade. Se tivessem mesmo 1500 equipes não haveria tantas equipes da prefeitura aguardando desligarem a energia para trabalhar”, reclamou o prefeito, que chamou a concessionária de irresponsável.
Conversei com algumas pessoas que conhecem bem o meio político e militam em lados opostos. É consenso que a avaliação positiva do prefeito, que bateu 63% em outubro, “deve subir ainda mais na próxima pesquisa. O paulistano gosta dessa atitude de não se esconder”, afirmou um aliado. Até um ferrenho adversário admitiu a boa fase do prefeito. “Quem conheceu o Ricardo vereador, como eu, não poderia imaginar o Ricardo prefeito que está aí. Colocar a cara à tapa está dando certo, a popularidade dele está em alta, não há nenhuma grande crise no governo, a oposição aqui na Câmara é tímida e a mídia não bate. Não lembro de outro prefeito assim”, disse um ex-colega de Palácio Anchieta.
Segunda tem eleição na Câmara. E mesmo com o “fator Rubinho Nunes”, lançado à presidência para concorrer com o atual presidente Ricardo Teixeira, ambos do União Brasil, não há ninguém que aposte no vereador que foi do MBL. No início da semana Milton Leite e Ricardo Teixeira selaram a paz durante um jantar. Ainda na manhã desta sexta-feira os vereadores do União Brasil vão se reunir e o mais provável é que Rubinho retire a candidatura.
Além de tentar vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem, Rubinho não conta com a simpatia dos colegas e sabe que se insistir na candidatura, pode passar vergonha. Teixeira deve ter entre 43 e 46 dos 55 votos. Toninho Vespoli, do PSOL, terá os 6 votos da bancada. A Rubinho restariam no máximo 6, mas provavelmente apenas 3 votos. O dele e os de Amanda Vettorazzo (União) e Lucas Pavanatto (PL). Portanto, caro leitor, cara leitora, Teixeira será reeleito. Bom final de semana.
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