
por Fábio Behrend
Publicado em 19/12/2025, às 10h52
Na hora de escrever a coluna, tem dias que é mais fácil anotar o que deve ser dito, estabelecer a ordem das coisas e começar a teclar. Se a coluna vai sair com pequenas notas ou em texto corrido, descubro durante o processo. Hoje me arrisco a misturar os dois, pra tentar organizar melhor as ideias.
Começo pelo prefeito Ricardo Nunes, não porque eu queira ou me obriguem a falar dele, muito menos por ser “puxa o saco” ou “vendido”, como disseram alguns colegas de ofício depois da coluna da semana passada. Começo por ele porque os outros xingamentos que recebi são impublicáveis e descobrir que também tenho haters me incomodou. Além disso, vivo em SP desde que nasci, cubro a cidade como repórter há 30 anos, participei de 16 eleições, enfim...conheço um pouquinho o comportamento do eleitorado e do mundinho político paulistano. E o prefeito está mesmo em boa fase e pronto.
Vamos aos fatos recentes. Depois de reclamar da Enel (e do ministro Alexandre Silveira) diretamente para o presidente Lula, o prefeito soube ainda durante o final de semana que Silveira havia baixado a bola. Nunes deve ter se divertido imaginando a cena de Lula, depois de ser confrontado por ele e Tarcísio e ter feito uma piada absolutamente sem graça, ligando para Alexandre Silveira e descascando o ministro sem dó.
Na segunda-feira, leve e descansado, Nunes acorda com a divulgação do levantamento da Paraná Pesquisas que o colocou com quase 65% de aprovação. Um recorde bem superior ao anterior, de José Serra, aprovado por 41% dos eleitores há exatos 20 anos. Na terça, foi protagonista na coletiva depois da reunião com o ministro Silveira e Tarcísio, onde foi anunciado que a Aneel iniciaria o processo de caducidade do contrato com a Enel. Na quarta-feira, Nunes ainda pôde assistir a mais tranquila e pacata aprovação do Orçamento Municipal dos últimos anos, por acordo, sem votação nominal.
A sorte está tão ao lado de Nunes que as brigas e discussões que acontecem tradicionalmente no último dia de sessão plenária na Câmara haviam acontecido antes da votação principal. E pra relatar melhor a confusão volto as notas mais curtas.
Faltavam quase 3 minutos para o tempo de discurso da vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL) terminar quando a vereadora Rute Costa (PL) interrompeu pedindo para ela não ultrapassar o tempo previsto. Zoe Martinez (PL) e Amanda Vettorazzo (União), logo depois, iniciaram contagem regressiva. O clima esquentou, houve discussão e assim que Silvia ganhou mais um minuto de fala, foi ironizada por Adrilles Jorge e Rubinho Nunes (ambos do Uniao), e nem percebeu quando Zoe Martinez desceu as escadas ao lado dela fazendo uma dancinha. Silvia já havia chamado o grupo de “5º série” quando foi interrompida pela primeira vez
Na sequência, o vereador Senival Moura (PT) pediu a palavra e anunciou que iria à Corregedoria contra os parlamentares, por quebra de decoro. Seguiu-se intenso bate-boca entre Senival e Rubinho Nunes, ambos com microfones abertos. Senival afirmando que a dancinha de Zoe Martinez foi gravada, Rubinho chamando Senival de mentiroso e senil. Quando o vereador João Jorge (MDB), que presidia a sessão, ameaçou cortar o microfone de ambos, já era tarde.
Quem estava no espaço destinado à imprensa no plenário não pôde ouvir com precisão a discussão entre os vereadores, por conta da acústica ruim do lugar e dos gritos trocados entre Senival e Rubinho. Mas a sessão plenária da última quarta está gravada no canal da Câmara no Youtube. O discurso da vereadora Silvia começa aos 2:33:00 do reloginho de tempo da tela. A primeira interrupção, as ironias aos 2:42:10, a dancinha 40 segundos depois e por aí vai.
Desculpe a demora. Obrigado por tudo, grande Natal, ano novo fodastico, com saúde, grana, amor e paz. Segue a coluna e só volto no dia 9 (fecho dia 8). Bjs no seu coração. Foto pode ser a do prefeito falando, com Tarcísio e Alexandre Silveira atrás na coletiva de terça no Palácio.
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