Sem constrangimento, Conserino põe MP a serviço da oposição a Augusto

Jair Viana Publicado em 09/08/2025, às 10h50
A atuação do promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino na disputa pelo Corinthians escancara o uso indevido do Ministério Público para fins políticos. Mesmo admitindo publicamente sua relação com Eduardo Tuma Júnior — adversário declarado de Augusto Melo —, Conserino não hesita em usar o peso da instituição para beneficiar o grupo que apoia internamente. A “dobradinha” é evidente: enquanto posa de guardião da legalidade, atua como operador de um dos lados da briga, intimidando Melo às vésperas de uma assembleia decisiva. Não é justiça — é jogo sujo travestido de ação judicial.
O timing não deixa dúvidas. A investigação contra Augusto Melo foi anunciada justamente quando a pressão política no Corinthians atingia o ápice, dias antes da votação que pode recolocá-lo no comando. A estratégia é cristalina: criar instabilidade jurídica para influenciar o voto dos conselheiros. E pior: segundo apuração, o promotor teria dito que conta com o aval do procurador-geral de Justiça do Estado, o que sugeriria que o MP não apenas tolera sua parcialidade, como a chancela. Se confirmado, é o retrato de uma instituição capturada por interesses escusos.
A parcialidade de Conserino beira o escárnio. Ele se apressa em investigar Melo, mas ignora as denúncias contra a gestão Tuma, seu aliado político no clube. Onde está o rigor diante dos supostos desvios do grupo que frequenta em jantares e reuniões? O Ministério Público não pode servir de balcão para disputas de conselheiros. Se há irregularidades, que se apurem todas — não apenas as que convêm a uma facção. A seletividade revela que não se trata de combate à corrupção, mas de uma arma de guerra interna.
O Corinthians precisa de transparência, não de lawfare. Se Conserino quer servir à Justiça, que abandone o papel de marqueteiro de Tuma e permita que a assembleia decida sem interferência indevida. Caso contrário, o MP paulista estará oficializando o que já é óbvio: virou braço jurídico de panelinhas, com promotores atuando como cabos eleitorais de toga. O torcedor não é ingênuo — e a história lembrará quem transformou a lei em instrumento de politicagem barata.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, foi procurado para explicar se atua em conjunto com Conserino para proteger o grupo de Tuma Júnior, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
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