Questões diplomáticas, protestos e restrições migratórias marcam os bastidores do torneio antes da bola rolar

Julio Cezar Souza Publicado em 11/06/2026, às 10h12
A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11) com o confronto entre México e África do Sul no Estádio Azteca, na Cidade do México. Além de marcar a abertura de mais uma edição do principal torneio do futebol mundial, a competição estreia um formato inédito e acontece em um contexto internacional marcado por disputas geopolíticas que já afetam delegações, árbitros e torcedores.
Pela primeira vez na história, o Mundial será realizado em três países simultaneamente: Estados Unidos, México e Canadá. O torneio também passa a contar com 48 seleções participantes, ampliando significativamente o número de equipes em relação às 32 que disputaram as últimas edições.
A nova estrutura prevê 12 grupos com quatro seleções cada. Os dois melhores colocados de cada chave avançam para a fase eliminatória, acompanhados pelos oito melhores terceiros colocados. Com isso, a etapa de mata-mata passa a reunir 32 equipes e ganha uma rodada adicional.
Embora dividido entre três nações, o torneio terá forte concentração nos Estados Unidos, que receberão a maioria absoluta das partidas. Dos 104 jogos programados, 78 serão disputados em solo americano, incluindo quase toda a fase eliminatória.
A realização da Copa ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo Washington e Teerã. O recente agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã trouxe reflexos diretos para a competição. A seleção iraniana, por exemplo, enfrentou dificuldades relacionadas a vistos e logística, alterando inclusive seu planejamento de hospedagem durante a fase de grupos.
As restrições impostas pelas autoridades americanas também atingiram integrantes de outras delegações. Casos de interrogatórios, negativas de entrada e dificuldades migratórias ganharam repercussão internacional nos dias que antecederam a abertura do torneio.
Um dos episódios mais comentados envolveu o árbitro somali Omar Artan, considerado um dos principais nomes da arbitragem africana. Escalado pela Fifa para atuar na competição, ele teve a entrada negada nos Estados Unidos e acabou excluído do quadro de árbitros do Mundial.
Diante das críticas, a Fifa tem buscado tratar o assunto com cautela. A entidade reconheceu a complexidade da situação, mas ressaltou que decisões relacionadas à entrada de estrangeiros são de responsabilidade exclusiva dos governos nacionais.
Enquanto as discussões políticas seguem nos bastidores, o foco dos torcedores se volta para o gramado. A expectativa é que a edição de 2026 seja a maior da história da Copa do Mundo, tanto pelo número de participantes quanto pela dimensão da organização, reunindo seleções de todos os continentes em uma competição que promete entrar para os livros do futebol.
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