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Copa do Mundo

Copa de 2026: o que vale no trabalho nos dias de jogo do Brasil?

Seleção jogará em dias úteis e regras variam entre empresas; especialistas explicam folgas, compensações e limites no expediente

Diálogo e planejamento são essenciais para evitar conflitos entre empregadores e empregados durante a Copa do Mundo 2026 - Imagem: Reprodução/Marcelo Brandt/G1
Diálogo e planejamento são essenciais para evitar conflitos entre empregadores e empregados durante a Copa do Mundo 2026 - Imagem: Reprodução/Marcelo Brandt/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 06/12/2025, às 08h32


Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, o entusiasmo dos torcedores brasileiros já começa a se misturar com dúvidas sobre como conciliar a rotina profissional com os jogos da seleção. O sorteio dos grupos, realizado na sexta-feira, dia 5, deu início a essa movimentação, uma vez que dois dos três jogos do Brasil na fase inicial ocorrerão em dias úteis.

A equipe estreia contra Marrocos no sábado, 13 de junho. As partidas seguintes, contra Haiti e Escócia, estão marcadas para 19 e 24 de junho, respectivamente, ambas durante a semana. Caso o Brasil avance, novos jogos em dias úteis devem fazer parte da agenda dos torcedores.

Embora algumas empresas tradicionalmente flexibilizem horários ou concedam folgas durante os jogos, não há qualquer obrigação prevista em lei. Especialistas consultados pelo g1 reforçam que dias de jogos não são feriados e que a jornada normal de trabalho deve ser mantida, salvo decisão expressa do empregador.

Nos últimos anos, é comum que companhias adotem medidas internas para permitir que seus funcionários acompanhem as partidas, como a startup GetNinjas, em São Paulo, que liberou colaboradores para assistir aos jogos no escritório ou em casa. Quando a liberação ocorre sem desconto, caracteriza-se folga remunerada. Porém, se houver dispensa parcial ou total da jornada, a compensação das horas deve ser formalizada e não pode ultrapassar duas horas extras por dia.

A ausência não justificada continua sendo tratada como falta comum: gera desconto salarial, pode impactar o descanso semanal remunerado e, em casos recorrentes, resultar em advertência ou suspensão. Mesmo assim, faltar uma única vez para assistir a um jogo não é suficiente para configurar justa causa.

Para trabalhadores de setores essenciais, como saúde e transporte, a realidade exige planejamento ainda mais rigoroso. Empresas precisam garantir operação mínima e, por isso, acordos individuais tendem a ser a solução mais usada. Supervisores costumam analisar a escala e negociar alternativas com antecedência.

Outra atenção necessária é em relação ao uso de telas e transmissões dentro do ambiente de trabalho. Assistir aos jogos sem autorização pode ser interpretado como indisciplina. Caso a empresa determine que não haverá pausa durante as partidas, a orientação deve ser cumprida.

Diante da ausência de regras legais específicas para eventos esportivos, advogados reforçam que o diálogo transparente é a peça central para evitar conflitos. Combinados registrados, cronogramas claros e comunicação prévia reduzem frustrações e garantem segurança para empregados e empregadores durante o evento esportivo mais aguardado pelos brasileiros.


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