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Denúncias nas redes

Youtuber Vitória Mineblox acusa pai de violência doméstica e denuncia suposto favorecimento do Conselho Tutelar de Tianguá

Com mais de 4 milhões de inscritos, influenciadora relata agressões contra a mãe, abusos quando tinha 11 anos e afirma que histórico do agressor como motorista do órgão público estaria blindando investigações.

Vitória Mineblox utiliza canal no YouTube para quebrar o silêncio sobre abusos e denunciar falhas no sistema de proteção às vítimas em sua cidade natal - Imagem: Reprodução
Vitória Mineblox utiliza canal no YouTube para quebrar o silêncio sobre abusos e denunciar falhas no sistema de proteção às vítimas em sua cidade natal - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 18/05/2026, às 13h39


Vitória Mineblox, influenciadora digital com mais de 4 milhões de inscritos, denunciou seu pai por violência doméstica e abusos sexuais em um vídeo, revelando um histórico de terror psicológico e físico que afetou sua infância e a de sua mãe.

Ela relatou que o pai, supostamente protegido por sua antiga posição no Conselho Tutelar, estaria manipulando o sistema de justiça para inverter a culpa e ameaçar a guarda da filha, levando Vitória a temer por sua segurança e saúde mental.

A influenciadora criticou a conivência das autoridades locais, que permitiram que o pai descumprisse medidas protetivas, e decidiu expor sua situação em seu canal como um apelo desesperado por justiça e proteção.

A comunidade gamer e os milhões de seguidores da influenciadora digital Vitória Mineblox foram surpreendidos por um forte relato. Em um vídeo de pronunciamento publicado em suas redes sociais, a jovem, que comanda um canal com mais de 4 milhões de inscritos focado no jogo Roblox, quebrou o silêncio para denunciar o próprio pai por um histórico de violência doméstica contra sua mãe e graves abusos direcionados a ela.

O caso ganhou contornos ainda mais alarmantes quando a criadora de conteúdo revelou a localização e o motivo pelo qual as agressões teriam sido silenciadas. Vitória reside em Tianguá, no Ceará, e afirmou que o pai goza de uma suposta proteção por parte do Conselho Tutelar local pelo fato de já ter trabalhado como motorista do órgão. Essa ligação profissional, segundo o relato, estaria agindo como uma blindagem, vazando informações sigilosas do processo e impedindo que as denúncias ganhassem o devido andamento legal.

O forte relato das agressões e abusos na infância

No vídeo, visivelmente abalada, Vitória detalhou os traumas que carrega desde a infância e expôs a gravidade dos abusos cometidos pelo genitor quando ela tinha apenas 11 anos de idade.

Ele cometeu diversos abusos quando eu tinha 11 anos de idade. Meu pai me colocou sem roupa na frente dele e eu já tinha o corpo, já tinha seios. E ele me obrigou a ficar sem roupa na frente dele. Eu tentava tampar porque eu estava me sentindo extremamente desconfortável e mal. Eu estava chorando pedindo para ele, eu estava implorando para ele me deixar vestir e deixar eu me tampar. E ele começou a gritar dizendo que não era para eu me tampar e que era para eu soltar a mão.

A influenciadora também relembrou o ambiente de terror psicológico e físico em que ela e a mãe viviam. Segundo Vitória, o pai quebrava objetos no soco para causar medo, olhava para ela de forma inadequada e ameaçava a vida da família de maneira constante para evitar que a esposa pedisse a separação.

Eu cresci vendo meu pai tentando matar minha mãe, eu cresci vendo meu pai maltratar minha mãe. Minha mãe demorou 12 anos para se separar do seu pai porque ele ameaçava matar os meus avós. Meu pai já chegou a correr atrás da minha mãe com faca, ameaçando matar ela. Ele colocava eu e minha mãe no carro e começava a correr em velocidade muito rápida para causar medo.

Inversão de culpa e ameaça de internação em abrigo

De acordo com o desabafo, o pai de Vitória estaria utilizando o próprio sistema de justiça para inverter a situação, fazendo denúncias falsas contra a mãe da jovem na tentativa de obter a guarda da filha. A influenciadora revelou que, por conta dessas manipulações e do apoio institucional que ele recebe na cidade, ela corre o risco de ser transferida para um acolhimento público.

O meu pai veio para a justiça e começou a dizer que minha mãe está me maltratando, que ela está me fazendo cárcere privado, fazendo um monte de coisa que é crime. E estão do lado dele os órgãos públicos: Ministério Público, Conselho Tutelar. Inclusive eu estou quase indo para um abrigo por conta de denúncias falsas do meu pai. Tudo o que ele está denunciando a minha mãe são coisas que ele fez, porque ele cometeu os crimes.

A jovem também relatou o severo impacto que a situação causou em sua saúde mental, mencionando crises de pânico e internações em clínicas psiquiátricas devido a ideações suicidas provocadas pelas torturas psicológicas do pai, que afirmava para a mãe dela que iria enlouquecê-la até que ela tirasse a própria vida.

Denúncia contra o Conselho Tutelar e quebra de medida protetiva

O ponto central da revolta de Vitória é a negligência e a suposta conivência das autoridades de Tianguá, que teriam banalizado seu depoimento oficial e permitido que o agressor descumprisse ordens judiciais, mesmo utilizando tornozeleira eletrônica.

Eu quero denunciar o Conselho Tutelar porque ninguém está dando voz às vítimas de verdade, estão dando voz ao abusador. O Conselho Tutelar dá informação para ele porque ele já foi motorista do Conselho Tutelar daqui de Tianguá. Ele tem essas amizades e falam para ele as coisas do processo que ele não poderia saber. Ele foi na minha escola mesmo tendo medida protetiva. Ele está de tornozeleira eletrônica, mas ele passa na frente da minha casa e a justiça não age. Ninguém está acreditando no meu lado.

A influenciadora justificou a decisão de expor a intimidade de sua família no canal de jogos como um ato de desespero e um pedido de socorro.

Eu não queria ter que transformar o meu canal, infelizmente, ter que falar sobre isso no meu canal, mas é a única forma, porque a justiça não está sendo feita e se não querem me ouvir, eu vou fazer com que eu seja ouvida.

O espaço permanece aberto para as manifestações oficiais do Conselho Tutelar de Tianguá, do Ministério Público do Ceará e da defesa do citado.


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