Novo épico do diretor de Oppenheimer chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 16 de julho, com Matt Damon como Odisseu, elenco estrelado, ambição técnica em IMAX e uma leitura mais adulta, humana e culpada do herói de Homero.

Ana Beatriz Silva Publicado em 16/07/2026, às 15h50
A Odisseia, nova adaptação de Christopher Nolan do clássico de Homero, estreia no Brasil com grande expectativa e críticas positivas, alcançando 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, a maior marca da carreira do cineasta até agora.
O filme narra a jornada de Odisseu, interpretado por Matt Damon, em sua luta para voltar para casa após a Guerra de Troia, apresentando um herói marcado pela culpa e pelos horrores da guerra, o que confere um tom mais sombrio e humano à narrativa.
Com um elenco estelar e inovações técnicas, como a filmagem em película IMAX, Nolan busca transformar a obra clássica em um evento cinematográfico, enquanto o debate sobre a melhor forma de exibição mobiliza o público antes da estreia.
Christopher Nolan voltou aos cinemas com um filme que já nasceu com tamanho de acontecimento. A Odisseia, nova adaptação do clássico poema atribuído a Homero, estreia no Brasil nesta quinta-feira, 16 de julho, cercada por expectativa, debates sobre o formato ideal de exibição e um feito raro na carreira do cineasta: as primeiras avaliações colocaram o longa entre os mais bem recebidos de toda a sua filmografia. Segundo o Omelete, o filme abriu com 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em 101 críticas, a maior marca já alcançada por uma obra de Nolan até aquele momento.
O longa acompanha Odisseu, também conhecido como Ulisses em algumas traduções, vivido por Matt Damon, em sua tentativa de voltar para casa após a Guerra de Troia. Rei de Ítaca, estrategista por trás do Cavalo de Troia e um dos personagens mais famosos da literatura ocidental, ele passa anos enfrentando naufrágios, criaturas míticas, tentações, perdas e a ira dos deuses enquanto tenta reencontrar a esposa, Penélope, interpretada por Anne Hathaway, e o filho, Telêmaco, vivido por Tom Holland.
A história original de Homero é um dos pilares da cultura ocidental. A Ilíada narra episódios ligados ao fim da Guerra de Troia, enquanto A Odisseia acompanha a longa luta de Odisseu para retornar a Ítaca. No percurso, o herói enfrenta o ciclope Polifemo, o canto das sereias, a feiticeira Circe, gigantes, monstros marinhos e a perseguição de Poseidon, deus dos mares, enfurecido após o protagonista cegar seu filho.
A versão de Nolan, no entanto, não aposta apenas na grandiosidade mitológica. A leitura crítica publicada pela Folha de S.Paulo destaca que o diretor acerta ao investir em um “herói adulto e culpado”, menos próximo da figura perfeita e mais ligado a um homem marcado pelo peso moral da guerra. No filme, Odisseu carrega a sombra dos mortos e a consciência dos horrores que provocou e aos quais sobreviveu, o que dá à jornada um tom mais sombrio e humano.
Esse olhar aproxima A Odisseia de alguns dos temas mais recorrentes de Nolan. Assim como em Oppenheimer, o diretor parece interessado em personagens brilhantes que vencem grandes batalhas externas, mas pagam um preço psicológico alto por suas escolhas. A diferença é que, desta vez, o conflito não nasce da ciência moderna, da guerra nuclear ou de dilemas políticos do século 20, mas de uma narrativa ancestral sobre orgulho, sobrevivência, desejo de voltar para casa e culpa.
O elenco é um dos principais trunfos da produção. Além de Matt Damon, Anne Hathaway e Tom Holland, o filme reúne Zendaya como Atena, Charlize Theron como Calipso, Robert Pattinson como Antínoo, Lupita Nyong’o como Helena de Troia e Clitemnestra, Benny Safdie como Agamêmnon, Jon Bernthal como Menelau, John Leguizamo como Eumeu, Himesh Patel como Euríloco e Mia Goth como Melanto. A escala do elenco reforça a proposta de transformar uma das histórias mais antigas da literatura em um espetáculo popular de grande circulação.
Entre os personagens centrais, Penélope aparece como a rainha que resiste durante anos à pressão de pretendentes interessados no trono de Ítaca. Telêmaco, por sua vez, cresceu sem a presença do pai e parte em busca de respostas sobre o desaparecimento de Odisseu. Antínoo funciona como um dos principais antagonistas, liderando os pretendentes que ameaçam a estabilidade do palácio. Atena surge como figura de proteção e estratégia, enquanto Circe, Calipso, Polifemo e as sereias representam obstáculos míticos da viagem.
Do ponto de vista técnico, A Odisseia também chega com status de marco. Segundo a Associated Press, o filme é o primeiro longa-metragem filmado inteiramente em película IMAX. Para viabilizar cenas com diálogos, a equipe precisou lidar com um problema histórico: o barulho das câmeras IMAX. A solução envolveu o desenvolvimento de uma nova estrutura de abafamento, chamada de “blimp”, além de um sistema de espelhos para permitir que os atores mantivessem contato visual mesmo com o equipamento entre eles.
A ambição técnica trouxe dificuldades extras. A câmera, envolvida pela estrutura de abafamento, chegava a pesar cerca de 300 libras, aproximadamente 136 quilos, e o filme precisava ser recarregado a cada dois minutos e meio ou três minutos. Nolan afirmou à AP que o objetivo era oferecer ao público algo especial, uma experiência que justificasse a ida ao cinema.
Essa defesa do cinema como evento é central para entender o lançamento. Nolan tem sido um dos principais nomes de Hollywood na valorização da experiência em sala, especialmente em formatos premium. Para o diretor, o IMAX 70 mm oferece uma sensação de imersão que faz a tela “desaparecer”, aproximando o público de uma experiência de profundidade sem o uso de óculos 3D.
No Brasil, mesmo sem a mesma estrutura de exibição em IMAX 70 mm disponível em alguns mercados internacionais, o lançamento também mobiliza o debate sobre onde assistir ao filme. A recomendação geral para quem busca a experiência mais próxima da proposta original de Nolan é priorizar salas IMAX, laser, Dolby ou outros formatos premium disponíveis no circuito local, já que a fotografia e o desenho de som foram pensados para telas grandes e alta imersão.
A recepção crítica internacional tem sido majoritariamente positiva. O Rotten Tomatoes classificou as primeiras críticas como indicativo de mais uma possível obra-prima de Nolan, destacando o filme como uma das grandes produções do ano e ressaltando a combinação entre espetáculo épico e atuações íntimas. Na própria página editorial do agregador, o longa aparecia com aprovação acima dos 90% durante a checagem.
A Entertainment Weekly também registrou uma onda de avaliações elogiosas, com críticos destacando a escala visual da adaptação, o trabalho de Nolan em cima do texto de Homero e a força do elenco. As críticas menos entusiasmadas apontaram que, em alguns momentos, o espetáculo visual pode reduzir o impacto emocional da história, embora mesmo análises mais cautelosas tenham reconhecido a riqueza e a ambição do projeto.
O tamanho do interesse público já vinha sendo medido antes da estreia. Segundo o Business Insider, o primeiro trailer do filme passou de 121 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas online, número superior ao registrado pelo trailer de Oppenheimer no mesmo período. O dado ajuda a explicar por que A Odisseia chega aos cinemas não apenas como mais um lançamento de prestígio, mas como uma tentativa de transformar uma epopeia antiga em fenômeno contemporâneo de bilheteria.
A questão agora é se Nolan conseguirá repetir com Homero o impacto cultural que alcançou com Oppenheimer. A julgar pela recepção inicial, pelo elenco, pelo apelo técnico e pelo peso simbólico do material original, A Odisseia estreia como um dos principais eventos cinematográficos de 2026. Mais do que contar a volta de um herói para casa, o filme tenta recolocar o épico clássico no centro da conversa popular, em uma Hollywood acostumada a super-heróis modernos, mas cada vez mais pressionada a provar que grandes histórias ainda podem levar multidões ao cinema.
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