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EJA

Renda de adultos pode crescer até 16% com alfabetização, segundo estudo

A EJA oferece uma segunda chance para quem não completou a escolaridade, com aumento significativo na renda e ocupação.

EJA - Imagem: Reprodução/ Prefeitura de Palmeiras de Goiás
EJA - Imagem: Reprodução/ Prefeitura de Palmeiras de Goiás

Gabriela Nogueira Publicado em 10/09/2025, às 13h56


A educação de jovens e adultos (EJA) tem se mostrado um fator determinante para a melhoria da renda, ocupação e formalização no mercado de trabalho dos estudantes que decidem retornar aos estudos. Um estudo recente, que será apresentado nesta quarta-feira (10) durante o Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos, revela os benefícios econômicos para aqueles que não completaram a escolaridade na idade apropriada, mas que optaram por ingressar nas turmas de EJA.

Esta modalidade é parte integrante da educação básica e oferece uma segunda chance para aqueles que não conseguiram concluir o ensino fundamental ou médio dentro do tempo esperado, permitindo a obtenção dos diplomas de forma acelerada em comparação às turmas regulares.

A pesquisa foi realizada com apoio do Ministério da Educação e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), visando preencher lacunas significativas no conhecimento sobre EJAe fundamentar propostas para aumentar o acesso à educação entre jovens e adultos. Os dados coletados têm como objetivo fornecer subsídios para o aprimoramento do investimento nessa modalidade educacional.

Embora o Brasil tenha avançado consideravelmente no acesso à educação formal, especialmente entre crianças de 6 a 14 anos — com a taxa de atendimento subindo para 96,7% em 2010 em comparação a 75,5% em 1991 —, as taxas de reprovação e evasão escolar permanecem elevadas. Em 2023, 35% dos jovens brasileiros ainda não haviam concluído o ensino médio até os 20 anos.

Para se inscrever na EJA do ensino fundamental, é necessário ter pelo menos 15 anos; no caso do ensino médio, a idade mínima exigida é de 18 anos. A única exigência para as turmas de alfabetização (AJA) é também a idade mínima de 15 anos. O estudo também analisa o público-alvo potencial para cada etapa da EJA, levando em consideração fatores regionais, raciais e diferenças entre áreas urbanas e rurais.

O relatório enfatiza que as gerações que deveriam ter frequentado a escola há mais de duas décadas enfrentaram um cenário de exclusão educacional significativo. Assim, um grande número dessas pessoas não completou sua educação básica na idade correta e continua sendo parte do público-alvo da EJA e AJA.

Aumento da Renda e Oportunidades no Mercado de Trabalho

Os resultados do estudo mostram que todos os níveis da EJA geram um aumento na renda dos alunos que completam seus cursos. O incremento varia conforme a faixa etária dos participantes.

No caso da alfabetização, os dados indicam que aqueles entre 18 e 60 anos experimentaram um aumento médio de renda de 16,3%, com o impacto sendo ainda mais significativo para indivíduos entre 46 e 60 anos, alcançando um crescimento superior a 23%. A formação em AJA também resulta em um aumento na probabilidade de inserção em ocupações formais em 7,7 pontos percentuais (pp) e melhora na qualidade das ocupações em 2,3 pp.

Para os alunos que completam o ensino fundamental por meio da EJA, a renda média aumenta em torno de 4,6%, sendo que este impacto é particularmente relevante entre os jovens adultos com idades entre 26 e 35 anos, onde o incremento chega a 14,9%. A conclusão dessa etapa também eleva as chances de conseguir um emprego formal em 6,6 pp e uma ocupação qualificada em 3,2 pp.

No contexto do ensino médio oferecido pela EJA, aqueles que concluem essa etapa veem suas rendas mensais aumentarem em média 6%, especialmente no grupo etário entre 26 e 35 anos, onde o crescimento chega a 10%. A probabilidade de ter uma ocupação formal cresce em até 9,4 pp e a chance de obter um emprego qualificado aumenta em 3,3 pp.

A autora do estudo, Fabiana de Felicio, ressalta a relevância estratégica da EJA para o Brasil. Segundo ela: "Os dados evidenciam um potencial imenso para expansão dessas modalidades educacionais. Os benefícios econômicos ao longo da vida justificam os investimentos necessários para retornar aos estudos, principalmente entre os jovens."

Ela ainda destaca que investir na EJA não apenas beneficia os indivíduos diretamente envolvidos, mas também proporciona avanços significativos para o desenvolvimento social e econômico das comunidades locais. "O aumento da renda e das oportunidades de trabalho não só melhora as condições de vida das pessoas como também contribui para elevar a produtividade e reduzir desigualdades sociais", conclui.

Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo

Lançado pelo MEC no ano anterior, o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos visa criar cerca de 3,3 milhões de novas matrículas na EJA ao longo dos próximos quatro anos com um investimento previsto de R$ 4 bilhões. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo IBGE, revelam que existem aproximadamente 9,1 milhões de pessoas no Brasil com idade igual ou superior a 15 anos que ainda não são alfabetizadas.


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