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Ensino

MEC lança programa para levar educação democrática às escolas

A nova proposta inclui a criação de materiais didáticos e formação de professores para garantir a implementação do programa

O MEC apresenta um programa inovador para integrar o currículo escolar brasileiro - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
O MEC apresenta um programa inovador para integrar o currículo escolar brasileiro - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 18/09/2025, às 18h02


O Ministério da Educação (MEC) do Brasil anunciou, por meio da portaria 642, a criação do Programa Educação para a Cidadania e para a Sustentabilidade, uma iniciativa que conta com o apoio de 120 organizações da sociedade civil. Este programa busca integrar o ensino da democracia nas escolas públicas, promovendo o desenvolvimento das competências necessárias para a participação ativa e responsável dos jovens na vida social.

O programa tem como meta alcançar um milhão de estudantes anualmente. Embora a adesão por parte de estados e municípios seja voluntária, o objetivo é que eles integrem conteúdos sobre democracia e cidadania em suas rotinas de ensino. O currículo abordará temas como a estrutura dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, além de estimular discussões sobre a importância da participação social na formulação de políticas públicas.

Para garantir a execução da política, o MEC desenvolverá uma Matriz Nacional de Saberes em educação cidadã e criará materiais didáticos, bem como cursos de formação para professores em colaboração com entidades governamentais. Cada estado e município terá um responsável designado para coordenar as ações locais após a adesão ao programa.

Apresentado a diversas instituições como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o programa se inspira em iniciativas semelhantes implementadas em países como Alemanha e França. Segundo João Tavares, diretor executivo da Rede Nacional de Educação Cidadã (Rede NEC), a proposta visa permitir que os alunos compreendam a importância da política e desenvolvam um senso de autoeficácia, percebendo que podem contribuir para mudanças significativas na sociedade.

Os alunos serão incentivados a valorizar princípios fundamentais da Constituição Federal e a compreender os processos eleitorais, além de discutir a pluralidade de ideias e a importância do diálogo respeitoso. O MEC também se comprometeu a elaborar um plano de monitoramento e avaliação do programa, incluindo pesquisas bianuais para documentar as experiências obtidas.

Financiamentos serão disponibilizados aos participantes através da Lei Orçamentária Anual, enquanto o MEC definirá prazos e estratégias futuras para atender populações específicas no âmbito do programa.

Estudos recentes indicam que os estudantes brasileiros se sentem despreparados para participar ativamente da vida cívica. Em 2022, durante sua primeira participação no International Civic and Citizenship Study (ICCS), o Brasil obteve resultados insatisfatórios em comparação com outros países participantes. Isso evidencia a necessidade urgente de reformular o ensino cívico nas escolas.

De acordo com especialistas como Humberto Dantas, é crucial que os educadores sejam preparados para abordar temas políticos sem trazer suas preferências ideológicas para dentro das salas de aula. A polarização política atual representa um desafio significativo nesse contexto.

O conceito de educação cidadã abrange não apenas o conhecimento teórico sobre democracia, mas também inclui temas contemporâneos como mudanças climáticas e combate à desinformação. Tavares destaca que é fundamental ensinar aos jovens não só como entender a política formal, mas também como engajar-se em práticas sociais que fortaleçam a democracia.


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