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Conheça o Braille para Todos: projeto de estudantes paulistas cria tecnologia para alfabetização de pessoas cegas

Iniciativa apresentada em evento do MEC, une aprendizado tátil e auditivo para tornar mais inclusiva alfabetização de pessoas com deficiência visual

Alunas do IFSP desenvolvem solução inédita para alfabetização de pessoas cegas - Imagem: Lívia Gennari
Alunas do IFSP desenvolvem solução inédita para alfabetização de pessoas cegas - Imagem: Lívia Gennari

Lívia Gennari Publicado em 08/10/2025, às 09h00 - Atualizado em 14/10/2025, às 16h45


Estudantes do Instituto Federal de São Paulo, desenvolveram o Braille para Todos, um projeto que cria tecnologias acessíveis para a alfabetização de pessoas com deficiência visual. A iniciativa surgiu da convivência das estudantes com uma colega que tem deficiência visual, e enfrentava dificuldades de aprendizado por falta de tecnologias assistivas acessíveis na escola.

Elaborado em cinco meses, o Braille para Todos foi apresentado na 5ª edição da Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica, evento anual realizado pelo MEC (Ministério da Educação), em Brasília.

O projeto foi criado no contraturno do CEPIN – Centro de Pesquisa e Inovação de Tecnologias Educacionais pelas alunas Nicole Militão, Clara Letieri e Lara Amorim, do primeiro ano de Informática e Eletrônica do IFSP – Campus Campinas, com mediação do professor Edson Anício Duarte.

Veja como funciona a ferramenta inovadora

Durante as pesquisas, as alunas descobriram que o Brasil tem cerca de 500 mil pessoas cegas, e que 74% delas não são alfabetizadas em Braille, um problema agravado pelo alto custo das tecnologias disponíveis no mercado.

Para mudar essa realidade, as alunas desenvolveram uma ferramenta totalmente nova, que combina aprendizado tátil e auditivo, facilitando a alfabetização de pessoas cegas e com baixa visão.

O projeto possui dois protótipos inovadores: o primeiro permite a sonorização de letras e palavras de até quatro letras por meio de peças que combinam letras romanas minúsculas com a simbologia em Braille. O segundo protótipo utiliza uma placa microcontrolada, câmera e tela para identificar QR codes acoplados às peças, emitindo o áudio correspondente à letra ou palavra, ampliando as possibilidades de aprendizado tátil e auditivo.

Acreditamos que o projeto irá proporcionar maior autonomia para pessoas cegas, garantindo um processo mais lúdico e rápido na alfabetização dessas pessoas", explicou Lara, uma das criadoras do projeto.

Projeto mira inovação e acesso inclusivo

As alunas afirmam que pretendem levar o dispositivo ao mercado por um preço acessível, garantindo que a tecnologia seja de fácil acesso para pessoas com deficiência visual, inclusive aquelas em situação de vulnerabilidade econômica.

Lara, Nicole e Clara também destacam a importância do projeto e planejam implementar melhorias para ampliar ainda mais a qualidade do aparelho. Entre as atualizações previstas estão a ampliação do número de letras por palavra, a inclusão de números, o suporte a outros idiomas e a substituição dos QR codes por um sistema de inteligência artificial, tornando o dispositivo ainda mais intuitivo e acessível.

Tecnologia amplia educação e reduz desigualdades

O Braille para Todos contribui diretamente para dois Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Educação de Qualidade (ODS 4) e Redução das Desigualdades (ODS 10).

Ao oferecer uma ferramenta acessível que combina aprendizado tátil e auditivo, o projeto não apenas facilita a alfabetização de pessoas com deficiência visual, mas também promove igualdade de oportunidades no ambiente escolar e na sociedade.

Cada letra lida e cada palavra sonorizada representam um passo concreto para um mundo mais justo, inclusivo e conectado, em que a tecnologia é utilizada como ponte para reduzir barreiras e ampliar o acesso à educação.


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