A cidade de São Paulo tem nesse domingo (24) um esquema especial no transporte público para os estudantes que vão realizar a segunda prova do Exame Nacional

Redação Publicado em 24/01/2021, às 00h00 - Atualizado às 11h36
A cidade de São Paulo tem nesse domingo (24) um esquema especial no transporte público para os estudantes que vão realizar a segunda prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, que será aplicada em todo país para 5,78 milhões de candidatos, em meio à alta no número de casos de coronavírus.
Na capital paulista, todas as linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) vão funcionar com intervalos mais curtos até às 14h, com intervalos médios de 10 minutos, exceto a Linha 13-Jade.
A partir das 10h até às 13h, o Metrô vai reforçar a frota de trens. As linhas 1-Azul e 3-Vermelha terão uma oferta especial de trens. Mas as linhas operadas pela iniciativa privada, como as linhas 4-Amarela e 5-Lilás, vão trabalhar com frota e intervalos normais de todos os domingos.
Segundo informações da SPTrans, os ônibus municipais da cidade vão circular com 100% da frota que normalmente circula aos domingos.
O Enem é considerado o maior vestibular do país, e a nota serve para disputar vagas em universidades e ter acesso a programas de bolsas (Prouni) ou financiamento de mensalidade (Fies).
A última etapa do Enem incluí as questões de matemática, biologia, química e física. Os portões serão abertos às 11h30. É permitida a entrada até às 13h, no horário de Brasília.

Enem em 90 segundos
A aplicação do Enem tem sido alvo de disputas judiciais, devido à pandemia. A prova, prevista originalmente para novembro de 2020, foi adiada para janeiro deste ano — mesmo após enquete com participantes indicar o mês de maio de 2021 como a opção mais votada pelos estudantes. Segundo o governo, a prova em maio atrasaria o cronograma de outros programas de ingresso no ensino superior.
A Justiça do Amazonas, definiu que os mais de 160 mil candidatos do estado farão a prova em 23 e 24 de fevereiro. Medida tomada para conter o caos no sistema de saúde do estado, que enfrenta hospitais lotados e até falta de oxigênio.
Infectologistas ouvidos pelo G1 dizem que o risco de pegar Covid-19 é maior nos deslocamentos até o local da prova do que durante a avaliação. Nas salas de provas, a dica é ficar de olho na ventilação adequada.
“A gente fica falando para todo mundo se manter nas suas bolhas sociais e, agora, vai estourar a bolha no Brasil todo ao mesmo tempo. É irresponsável”, afirma Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“São jovens que deveriam estar evitando aglomerações e que vão ser forçados a sair de casa, a pegar transporte público e a talvez encontrar grandes grupos nos corredores e portões”, afirma Alexandre Naime Barbosa, chefe da infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Se for ver todo o processo, a realização da prova em si é o menor dos perigos. A mudança de rotina, sim, vai impactar o número de casos.”
Vitor Mori, membro do Observatório Covid-19 BR e pesquisador na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, aponta a ventilação das salas de prova como outro ponto crítico na realização do Enem. Para ele, não tem sentido discutir percentual de ocupação de salas de aula ou distanciamento em metros se não houver ventilação suficiente.
“Falam de ventilação de forma superficial. E a principal transmissão é pelo ar. Se não tiver protocolos sérios de troca de ar e monitoramento, não tem como garantir proteção das pessoas”, afirma. Mori defende que deveria haver um controle dos níveis de gás carbônico nas salas de aula para checar se a troca de ar ocorre de forma correta.
“Sempre argumento que estamos parados na concepção da pandemia de março. Não atualizou [os protocolos]. Quando os protocolos são errados e não funcionam, os casos aumentam.”
“Essa coisa do 1,5 metro parte do princípio de que a transmissão acontece por gotículas maiores. Quando a gente fala, tosse, espirra, a gente emite partículas maiores, mais pesadas, que caem a distância mais curta. Mas a transmissão também ocorre por partículas mais leves, aerossóis, que ficam flutuando no ar e se espalham na sala. É como fumaça de cigarro. Você sente o cheiro, mesmo estando a mais de 1,5 metro.”
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G1 – Globo.
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