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Relações Internacionais

Venezuela mantém dívida bilionária com o Brasil e não tem previsão de pagamento

País deve cerca de R$ 10 bilhões à União por financiamentos de obras de infraestrutura e está inadimplente desde 2018.

Venezuela acumula dívida de cerca de R$ 10 bilhões com o Brasil por obras financiadas no início dos anos 2000 - Imagem: Reprodução
Venezuela acumula dívida de cerca de R$ 10 bilhões com o Brasil por obras financiadas no início dos anos 2000 - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 06/01/2026, às 14h19


A Venezuela encerrou 2025 devendo US$ 1,856 bilhão ao Brasil, o equivalente a cerca de R$ 10,1 bilhões, sem qualquer previsão de pagamento. Os dados foram informados pelo Ministério da Fazenda em resposta a questionamentos de parlamentares e correspondem a valores já pagos pela União em indenizações, além de juros de mora acumulados.

A dívida tem origem em financiamentos concedidos pelo Brasil no início dos anos 2000 para a execução de grandes obras de infraestrutura em território venezuelano, como a expansão do metrô de Caracas, a construção de uma ponte sobre o Rio Orinoco, a Usina Siderúrgica Nacional e estaleiros. A Venezuela deixou de honrar os compromissos financeiros em 2018.

Os financiamentos foram garantidos pelo Seguro de Crédito à Exportação (SCE), lastreado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE), mecanismo operado pela União para proteger exportadores brasileiros em casos de inadimplência de países importadores. Com o calote venezuelano, o Brasil passou a indenizar as empresas nacionais.

Segundo o BNDES, todas as parcelas não pagas pela Venezuela já foram integralmente cobertas pelo SCE, e o saldo devedor foi transferido para a União, que agora figura como credora direta do governo venezuelano.

Em respostas oficiais ao longo de 2025, o Ministério da Fazenda afirmou que não há previsão para a quitação da dívida. “Os valores não prescrevem e são atualizados conforme os encargos previstos contratualmente. Nesse sentido, a União continuará com os esforços para regularização”, informou a pasta em junho.

Para tentar reaver os recursos, o governo brasileiro afirma que mantém medidas administrativas e diplomáticas, como reuniões técnicas com representantes da Venezuela, realizadas em agosto e setembro de 2023, além do envio periódico de ofícios de cobrança.

O impasse ocorre em meio a um cenário de instabilidade política e colapso econômico na Venezuela. Entre 2012 e 2020, já sob o governo de Nicolás Maduro, o PIB per capita do país despencou de US$ 12.607 para US$ 1.506, uma queda de quase 90%, evidenciando a profundidade da crise que dificulta qualquer perspectiva de pagamento no curto prazo.


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