Ministro defende estratégias alternativas para conter o aumento de preços.

Sabrina Oliveira Publicado em 26/08/2024, às 13h45
Em uma declaração polêmica durante um evento no Rio de Janeiro, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou a estratégia do Banco Central de usar a alta de juros como principal ferramenta para controlar a inflação. Segundo ele, o combate à inflação não deve se restringir apenas à restrição do crédito e ao aumento da taxa de juros, mas sim, incluir outras medidas que promovam o crescimento da produção e a melhoria da capacidade aquisitiva da população.
O Banco Central precisa aprender que, combater inflação, não tem só um jeito, que é o jeito de restrição de crédito e de aumento de juros", afirmou Marinho. Controla-se inflação também com oferta, com mais produção, mais capacidade aquisitiva da classe trabalhadora do país. Porque há espaço para isso. Nós vimos nos governos Lula 1 e 2, que controlamos a inflação com mais produção", explicou.
Marinho destacou que o setor produtivo brasileiro ainda não opera em sua total capacidade instalada, o que indica um potencial para expandir a produção sem que isso gere pressões inflacionárias significativas. "Há espaço para crescimento da produção. E, se houver ocupação de 100%, que [o setor produtivo] planeje novos investimentos. É isso que pode combater a inflação sem ter que recorrer a aumento de juros ou restrição de crédito", afirmou o ministro.
Durante o evento, o ministro também adiantou dados positivos sobre a geração de empregos, que serão divulgados em breve pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com Marinho, os primeiros sete meses de 2024 registraram um número maior de novos empregos na indústria do que em todo o ano de 2023.
“No Rio Grande do Sul, por exemplo, houve uma retomada na geração de empregos em julho, depois de quedas nos meses de maio e junho devido às enchentes que atingiram o estado no primeiro semestre deste ano”, disse Marinho, destacando a resiliência e recuperação do mercado de trabalho mesmo diante de adversidades.
Luiz Marinho também aproveitou o evento para comentar sobre o atual compromisso fiscal do governo. Segundo o ministro, o compromisso de alcançar um “déficit fiscal zero” em 12 meses é desafiador e impacta o orçamento destinado a diversas atividades do Ministério do Trabalho e Emprego.
Eu achava que nós tínhamos que ter feito compromisso fiscal zero, sim, mas não em 12 meses. Achava que ter devia ter compromisso fiscal zero para dez anos, oito anos, e nos cobrasse, a cada ano, nossa responsabilidade de reduzir o déficit fiscal. Mas o contrato está feito e nós estamos cumprindo o déficit fiscal zero em um ano. Só que vai faltar orçamento para muitas áreas”, observou o ministro.
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