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Inflação recua, juros ainda altos

Mercado reduz projeção da inflação para 2026 e mantém expectativa de corte gradual da Selic

Boletim Focus indica IPCA dentro da meta e prevê desaceleração dos juros a partir deste ano; PIB deve crescer 1,82%

Previsão do dólar para 2026 é de R$ 5,45, com estimativa de R$ 5,50 para o final de 2027 - Imagem: Reprodução/Fotos Públicas
Previsão do dólar para 2026 é de R$ 5,45, com estimativa de R$ 5,50 para o final de 2027 - Imagem: Reprodução/Fotos Públicas

Letícia Sales Publicado em 23/02/2026, às 10h17


A projeção do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a cair. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central do Brasil, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 recuou de 3,95% para 3,91%.

É a sétima redução consecutiva para o indicador, que permanece dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Para 2027, a previsão foi mantida em 3,8%. Já para 2028 e 2029, a expectativa é de inflação em 3,5% nos dois anos.

Pressões recentes nos preços

Em janeiro, a alta na conta de luz e nos combustíveis, especialmente a gasolina, pressionou o índice. O IPCA fechou o mês em 0,33%, o mesmo resultado de dezembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com isso, a inflação acumula alta de 4,44% em 2025.

Selic no maior nível em quase 20 anos

Para controlar os preços, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, ela está em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Mesmo com o recuo das expectativas de inflação e a queda do dólar, o colegiado manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, no fim de janeiro. Trata-se do maior patamar desde julho de 2006, quando a taxa estava em 15,25% ao ano.

Na ata do encontro, o Copom sinalizou que poderá iniciar um ciclo de cortes na reunião de março, desde que o cenário inflacionário siga sob controle. Ainda assim, indicou que os juros devem permanecer em nível restritivo por um período prolongado.

O mercado passou a prever Selic de 12,13% ao ano ao fim de 2026, abaixo da estimativa anterior de 12,25%. Para 2027 e 2028, as projeções são de 10,5% e 10%, respectivamente. Em 2029, a taxa pode cair para 9,5%.

Crescimento moderado e dólar estável

O boletim também trouxe leve revisão na expectativa de crescimento econômico. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano subiu de 1,8% para 1,82%. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado projeta crescimento de 2% ao ano.

No terceiro trimestre de 2025, a economia avançou 0,1%, resultado considerado de estabilidade pelo IBGE. O dado consolidado do PIB de 2025 será divulgado em 3 de março. Em 2024, o país registrou alta de 3,4%, o quarto ano consecutivo de crescimento.

Quanto ao câmbio, a previsão é de que o dólar encerre este ano cotado a R$ 5,45. Para o fim de 2027, a estimativa é de R$ 5,50.


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