TRE-DF aponta ausência de comprovação em 44,31% das despesas de campanha à Câmara Legislativa do DF em 2022

Letícia Sales Publicado em 10/07/2026, às 11h56
A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil, em valores já atualizados por correção monetária, de Ana Cristina Valle, segunda esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi motivada por falhas identificadas na prestação de contas da campanha eleitoral de Ana Cristina, candidata a deputada distrital pelo Progressistas em 2022. Na ocasião, ela obteve 1.485 votos na capital federal e não conseguiu se eleger.
Quase metade das despesas sem comprovação
Segundo o TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), os gastos totais da campanha somaram R$ 303.488,96. Desse montante, R$ 134,4 mil — valor calculado antes da correção monetária — não tiveram comprovação apresentada pela candidata. Na avaliação do tribunal, Ana Cristina deixou de comprovar 44,31% das despesas registradas durante a campanha.
O TRE-DF identificou diversas inconsistências em gastos custeados com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), incluindo a ausência de notas fiscais, contratos e comprovantes de prestação de serviços. Também não foram apresentados documentos que comprovassem a efetiva realização de despesas com militância, alimentação, combustível, locação de bens e impulsionamento de conteúdo na internet.
Irregularidades específicas
Entre os casos apontados pela Justiça Eleitoral, está um pagamento de R$ 35.150 destinado a atividades de militância, sem qualquer documentação que comprovasse a efetiva prestação dos serviços contratados. O tribunal também identificou R$ 3 mil em despesas com combustível sem comprovação de que os abastecimentos estivessem vinculados a veículos efetivamente utilizados na campanha. Além disso, foi constatado um gasto com aluguel de imóvel referente a período posterior ao encerramento do processo eleitoral.
Candidata não respondeu às intimações
Ao longo da tramitação do processo, Ana Cristina foi intimada em duas ocasiões diferentes para apresentar esclarecimentos ou documentos complementares sobre as despesas questionadas, mas não deu retorno à Justiça Eleitoral em nenhuma delas. Para o relator do caso, a ausência de manifestação da candidata reforçou a gravidade das irregularidades identificadas. A prestação de contas final da campanha também foi entregue fora do prazo formal estabelecido pela legislação eleitoral.
Possível bloqueio de bens
Caso o valor bloqueado nas contas de Ana Cristina não seja suficiente para quitar a pendência, a medida determinada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pode ser estendida a imóveis e veículos registrados em nome da candidata.
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