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Mercado da Beleza

Indústria da beleza dobra ritmo de crescimento do varejo tradicional

Setor avança com novos públicos, estética científica e negócios bilionários

O aumento nos gastos com procedimentos estéticos mostra que a busca pela beleza vai além dos cosméticos - Imagem: Reprodução/Tiffany Herring/Axios
O aumento nos gastos com procedimentos estéticos mostra que a busca pela beleza vai além dos cosméticos - Imagem: Reprodução/Tiffany Herring/Axios

Gabriela Nogueira Publicado em 22/01/2026, às 14h31


Enquanto boa parte da economia global tenta se adaptar a juros elevados e a um ambiente político incerto, a indústria da beleza segue em trajetória oposta. O setor atravessa um dos momentos mais fortes de sua história recente, impulsionado por novos hábitos de consumo, mudanças de público e uma estética cada vez mais ligada à ciência.

Dados da consultoria McKinsey mostram que os gastos globais no varejo de beleza já alcançaram US$ 440 bilhões. O ritmo de crescimento é cerca do dobro do observado no varejo tradicional, um sinal claro de que o consumo de cosméticos e cuidados pessoais deixou de ser visto como supérfluo para ocupar um espaço central no dia a dia das pessoas.

Parte desse avanço vem de uma transformação no perfil do consumidor. Homens passaram a incorporar rotinas de skincare, maquiagem leve e produtos corretivos, quebrando antigos estigmas do setor. Ao mesmo tempo, a entrada no mercado acontece cada vez mais cedo, puxada por crianças e adolescentes influenciados por tendências das redes sociais, fenômeno que ficou conhecido como Sephora Kids.

Esse novo público também mudou o discurso das marcas. Promessas milagrosas perderam espaço para uma abordagem mais técnica. Frascos coloridos deram lugar a embalagens minimalistas, rótulos com linguagem clínica e foco em ativos específicos. A chamada estética de laboratório ganhou força ao vender a ideia de resultados profissionais dentro de casa.

O aquecimento do mercado ficou evidente nas movimentações recentes de grandes grupos. A e.l.f. Beauty adquiriu a Rhode, marca fundada por Hailey Bieber, em um negócio avaliado em US$ 1 bilhão. Já a Estée Lauder comprou a The Ordinary por US$ 1,7 bilhão, reforçando a aposta em marcas com forte apelo científico e conexão direta com o consumidor digital.

Por trás desse crescimento está também a pressão estética amplificada por filtros, selfies e padrões disseminados nas redes sociais. A busca pelo rosto considerado ideal não se limita aos cosméticos. Ela impulsiona outro segmento em rápida expansão: o de procedimentos estéticos. Globalmente, gastos com intervenções como botox e preenchimentos já se aproximam de US$ 150 bilhões.

O cenário mostra que, mais do que uma tendência passageira, a beleza se consolidou como um dos mercados mais resilientes da economia atual. Em meio a crises e ajustes, o setor segue refletindo um desejo coletivo por controle, autoestima e pertencimento em um mundo cada vez mais instável.


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