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Juros com margem

Galípolo diz que juros elevados deram margem para cortes mesmo com tensão no Oriente Médio

Galípolo diz que juros elevados deram margem para cortes mesmo com tensão no Oriente Médio

Brasil se mostra mais resiliente a choques externos, beneficiado por sua posição como produtor e exportador de petróleo - Imagem: Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasil se mostra mais resiliente a choques externos, beneficiado por sua posição como produtor e exportador de petróleo - Imagem: Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 30/03/2026, às 11h47


O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (30) que a política de manutenção de juros elevados nos últimos meses criou uma margem de segurança que permitiu ao país iniciar o ciclo de cortes da taxa básica, mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

Durante participação no evento J.Safra Macro Day, em São Paulo, Galípolo destacou que a estratégia mais conservadora adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) foi determinante para garantir flexibilidade na condução da política monetária.

Essa gordura que foi acumulada com uma posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões do Copom nos permitiu, mesmo diante de novos fatos, não alterar a conjuntura como um todo. Então a gente decidiu seguir com a nossa trajetória e iniciar o ciclo de calibragem da política monetária”, declarou.

Neste mês, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,75% ao ano — o primeiro corte desde junho do ano passado. O movimento ocorreu em meio ao aumento das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, fator que elevou o nível de cautela da autoridade monetária.

Segundo a ata da última reunião, o colegiado considerou o cenário de maior incerteza e indicou que a continuidade e a intensidade dos cortes dependerão dos desdobramentos do conflito e de seus efeitos sobre a inflação.

Galípolo reforçou que o Banco Central pode rever o ritmo de redução dos juros caso o impacto da crise internacional se intensifique. Ainda assim, destacou que a estratégia adotada até aqui permitiu ao país ganhar tempo para avaliar o cenário com mais precisão.

A gente entende que a gordura permitiu a gente ganhar tempo, tomar tempo para ver, para entender, para aprender mais. Ganhar tempo significa dar para a gente continuar na trajetória que a gente entendia, no plano que a gente tinha entendido”, afirmou.

O presidente do Banco Central também avaliou que o atual nível de juros coloca o Brasil em posição relativamente mais confortável em comparação a outros países para enfrentar choques externos. Ele mencionou ainda que o fato de o país ser produtor e exportador de petróleo contribui para essa resiliência em meio à instabilidade global.


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