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Tarifaço dos EUA

EUA propõem tarifa extra de 25% sobre importações brasileiras e ampliam pressão comercial

Medida foi sugerida após investigação sobre práticas comerciais do Brasil; decisão final caberá ao presidente Donald Trump

Imagem: Reprodução/ Samuel Corum/Sipa/Bloomberg
Imagem: Reprodução/ Samuel Corum/Sipa/Bloomberg

Letícia Sales Publicado em 02/06/2026, às 09h12


Os Estados Unidos deram mais um passo na disputa comercial com o Brasil ao propor a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados. A recomendação foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) após a conclusão de uma investigação que apontou supostas práticas consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” por parte do governo brasileiro.

A proposta ainda passará por um período de consulta pública antes de uma decisão definitiva. A palavra final caberá ao presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo o relatório, a investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para contestar políticas comerciais de outros países. O documento cita uma série de pontos que, na avaliação do governo norte-americano, prejudicariam empresas e interesses dos EUA.

Entre as questões levantadas estão decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas digitais americanas, políticas relacionadas aos meios de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais concedidas a produtos do México e da Índia, além de críticas à atuação do Brasil no combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual e ao controle do desmatamento ilegal.

O acesso ao mercado brasileiro de etanol também foi citado. Os norte-americanos alegam que o Brasil deixou de oferecer condições tarifárias equivalentes às concedidas anteriormente ao produto exportado pelos Estados Unidos.

Apesar da proposta de sobretaxa, o governo norte-americano indicou que alguns produtos poderão ficar de fora da medida. A lista preliminar de exceções inclui determinados tipos de carne, frutas, café, materiais informativos e doações. Segundo o USTR, a exclusão busca evitar problemas de abastecimento no mercado dos EUA.

O processo agora entra em uma nova fase de análise pública. Interessados poderão encaminhar comentários por escrito até 1º de julho, enquanto uma audiência para discutir o tema está prevista para o dia 6 de julho.

A investigação teve início em julho do ano passado, após determinação de Donald Trump, em meio às tensões comerciais entre os dois países. Desde então, o assunto foi discutido em encontros entre o presidente norte-americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao comentar o avanço do processo, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, destacou o diálogo mantido entre os governos.

“Iniciei esta investigação ao abrigo da Seção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou Jamieson Greer.


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