Relatório do governo de Donald Trump afirma que o Brasil falhou em impedir a entrada e circulação de produtos ligados ao trabalho forçado. Documento cita a pecuária brasileira, a Lista Suja do Trabalho Escravo e a concorrência com exportações norte-americanas.

Redação Publicado em 03/06/2026, às 09h13
A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos se intensificou com a recomendação do USTR de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando ineficácia no combate ao trabalho forçado, o que pode prejudicar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
O relatório destaca a produção de carne bovina e menciona que as exportações brasileiras para mercados como a China aumentaram, enquanto a participação dos EUA diminuiu, sugerindo que a falta de fiscalização rigorosa contribui para essa disparidade.
O governo brasileiro defende suas práticas de combate ao trabalho escravo e apresentou uma defesa formal, argumentando que as sanções seriam desproporcionais. A recomendação do USTR ainda precisa passar por consultas públicas antes de uma decisão final, o que pode impactar setores do agronegócio e aumentar as tensões comerciais.
A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação que recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o país não combate de forma eficaz a importação e a circulação de mercaBRASIL REBATE ACUSAÇÕESdorias produzidas com trabalho forçado.
O relatório, divulgado nesta semana pela gestão do presidente Donald Trump, sustenta que a ausência de mecanismos legais específicos para barrar produtos ligados ao trabalho escravo cria uma concorrência considerada desleal para empresas norte-americanas.
Entre os principais pontos levantados pelos Estados Unidos está a produção de carne bovina no Brasil. O documento cita produtores rurais incluídos na chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, cadastro mantido pelo governo brasileiro que reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Segundo o USTR, o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina para mercados estratégicos, especialmente a China, ocorreu paralelamente à redução da participação norte-americana nesses mesmos mercados. O órgão argumenta que diferenças de custo poderiam estar relacionadas à falta de mecanismos mais rigorosos de fiscalização e bloqueio comercial.
O relatório também menciona setores como algodão, café, arroz, tabaco e outros produtos agrícolas, afirmando que países investigados importam mercadorias de regiões com histórico de trabalho forçado ao mesmo tempo em que competem diretamente com exportações dos Estados Unidos.
A proposta surge poucos dias após outra ofensiva comercial da Casa Branca contra o Brasil, quando autoridades norte-americanas sugeriram tarifas relacionadas a disputas envolvendo o Pix, comércio digital, propriedade intelectual e acesso a mercados.
BRASIL REBATE ACUSAÇÕES
O governo brasileiro afirma que mantém um dos sistemas mais reconhecidos internacionalmente de combate ao trabalho análogo à escravidão.
O país é signatário das principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o tema e utiliza instrumentos como a Lista Suja do Trabalho Escravo, considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma referência global no combate à exploração laboral.
Além disso, operações do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal realizam fiscalizações periódicas em diversos setores econômicos. Apenas nos últimos anos, milhares de trabalhadores foram resgatados de condições degradantes em diferentes regiões do país.
Durante a investigação, o governo brasileiro apresentou defesa formal aos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que eventuais sanções seriam desproporcionais e ignorariam os mecanismos existentes de fiscalização e combate ao trabalho escravo.
DECISÃO AINDA NÃO É DEFINITIVA
A recomendação do USTR não significa aplicação automática da tarifa. A proposta ainda deverá passar por consultas públicas e audiências antes de eventual decisão final do presidente Donald Trump.
Caso seja implementada, a medida poderá afetar setores estratégicos do agronegócio brasileiro e ampliar as tensões comerciais entre Brasília e Washington em um momento de crescente disputa por mercados globais.
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