Investidores acompanham Superquarta, dados de inflação mais fracos no Brasil e tensões políticas envolvendo o Federal Reserve

Letícia Sales Publicado em 28/01/2026, às 11h07
O mercado financeiro opera em clima de expectativa nesta quarta-feira (28). O dólar comercial recua e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5,20, enquanto a Bolsa brasileira registra forte alta, com os investidores atentos às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Por volta das 10h50, a moeda norte-americana caía 0,54%, cotada a R$ 5,1776, após tocar a mínima de R$ 5,1716. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1,32%, aos 184.319 pontos, impulsionado pelo apetite por risco e pela leitura mais favorável dos indicadores econômicos recentes.
O principal foco do dia é a chamada “Superquarta”, quando os bancos centrais do Brasil e dos EUA anunciam suas decisões sobre juros. No cenário doméstico, a expectativa majoritária é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, mas o mercado observa atentamente o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) em busca de sinais sobre o início do ciclo de cortes.
Parte dos analistas já vê espaço para uma sinalização mais clara a partir de março, especialmente após a divulgação do IPCA-15 de janeiro. A prévia da inflação oficial subiu 0,20%, abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,22%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%.
Os maiores impactos vieram dos grupos de saúde e cuidados pessoais e de comunicação, enquanto a alimentação voltou a pressionar o índice, puxada por itens como tomate, batata, frutas e carnes. Em contrapartida, os preços de transportes recuaram, influenciados pela queda nas passagens aéreas e por políticas de tarifa zero em algumas cidades.
Nos Estados Unidos, o consenso do mercado aponta para a manutenção da taxa de juros entre 3,5% e 3,75%. Ainda assim, os investidores acompanham com cautela as declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que concede sua primeira entrevista coletiva desde a divulgação de uma investigação criminal anunciada pelo governo de Donald Trump.
O presidente americano tem intensificado a pressão por cortes mais agressivos nos juros e voltou a criticar publicamente Powell, aumentando as preocupações sobre a independência do banco central. O mandato do atual presidente do Fed termina em maio, e Trump já sinalizou que pretende indicar um novo nome para o cargo.
No cenário internacional, as tensões geopolíticas também seguem no radar. Os Estados Unidos anunciaram a elevação de tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, enquanto a China reforçou a aproximação com a Rússia em resposta à nova estratégia de defesa americana. Ao mesmo tempo, o mercado repercute o acordo comercial firmado entre a União Europeia e a Índia, que prevê redução significativa de tarifas e ampliação do comércio bilateral.
No exterior, as bolsas apresentaram desempenho misto. Em Wall Street, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam em alta na véspera, enquanto o Dow Jones recuou. Na Europa, a maioria dos índices avançou, com destaque para o STOXX 600 e o FTSE 100. Já na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, puxados pelo bom desempenho das ações de tecnologia e sinais de recuperação nos lucros de empresas chinesas.
Em meio a um cenário global instável, investidores seguem calibrando posições à espera das decisões de juros e das próximas sinalizações das principais autoridades monetárias do mundo.
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