Moeda americana recua diante das decisões de juros no Brasil e nos EUA e da leitura do mercado sobre o cenário político interno

Erika Osti Publicado em 30/04/2026, às 19h30
O dólar encerrou esta quinta-feira (30) em queda e fechou no menor patamar em mais de um ano, refletindo uma combinação de fatores internos e externos que favoreceram o real. A moeda norte-americana recuou 0,98% e terminou o dia cotada a R$ 4,9527 na venda, no menor nível desde 7 de março de 2024. O movimento ocorre na véspera do feriado do Dia do Trabalho e em meio à reavaliação dos investidores sobre juros, riscos políticos e o cenário internacional.
No Brasil, o principal vetor foi a decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, levando os juros a 14,50% ao ano. Apesar do corte, o Banco Central adotou um tom mais cauteloso, ao destacar riscos inflacionários e sinalizar uma possível desaceleração no ritmo de flexibilização monetária. A leitura predominante no mercado é de que o diferencial de juros ainda elevado sustenta a atratividade do real no curto prazo.
O ambiente político também entrou no radar. A rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal trouxe ruído institucional, mas parte dos agentes financeiros interpretou o episódio como um freio a pressões políticas, o que ajudou a conter a aversão ao risco. Ainda assim, o episódio expõe fragilidades na articulação do governo e adiciona incerteza sobre futuras nomeações.
No cenário externo, o Federal Reserve decidiu manter os juros entre 3,50% e 3,75% pela terceira reunião seguida, como amplamente esperado. A decisão veio acompanhada de sinais de preocupação com a inflação, especialmente diante da alta nos preços de energia influenciada pelas tensões no Oriente Médio. O presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, alertou para o risco de impactos adicionais sobre inflação e emprego.
A comunicação do Fed revelou divergências internas. Parte dos dirigentes demonstrou preocupação com o choque inflacionário ligado ao petróleo, enquanto outro grupo chegou a defender corte de juros. Mesmo assim, o mercado segue projetando apenas cortes mais adiante, com apostas concentradas no fim de 2027.
A combinação de juros ainda elevados no Brasil, manutenção da política monetária nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas contribuiu para a valorização do real neste pregão. Analistas, porém, apontam que o cenário permanece volátil, com o câmbio sensível a mudanças no ambiente político doméstico e às próximas sinalizações dos bancos centrais.
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