Mercado reage com cautela global, elevando o dólar e derrubando o Ibovespa

Sabrina Oliveira Publicado em 02/08/2024, às 11h23
Nesta quinta-feira, o dólar fechou em alta, atingindo R$5,73, o maior patamar desde 2021, enquanto o Ibovespa recuou. Esse movimento reflete um sentimento global de cautela, à medida que os mercados reagem a novos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e às recentes decisões sobre taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e Banco Central (BC).
O clima de aversão ao risco impulsionou a valorização do ouro, que alcançou novos recordes, e afetou negativamente o mercado de criptoativos. O Fed manteve as taxas de juros inalteradas no maior nível em mais de duas décadas, mas indicou a possibilidade de um ciclo de cortes a partir de setembro. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve a Selic em 10,5% ao ano pela segunda reunião consecutiva, adotando um tom mais cauteloso sobre os fatores de risco.
O dólar encerrou o dia com um aumento de 1,43%, cotado a R$5,736, o maior valor desde dezembro de 2021. Em 2024, a moeda acumula uma valorização de 18,24%. O Ibovespa, seguindo a tendência negativa de Wall Street e das bolsas europeias, caiu 0,2%, fechando aos 127.395 pontos.
As maiores empresas da bolsa brasileira também foram impactadas. A Vale (VALE3) teve uma queda de 2,24% após resultados mistos do minério de ferro, enquanto a Petrobras (PETR4) recuou 1,52%, alinhada à nova queda do petróleo, que sofreu uma baixa de 4% na véspera.
Novos dados do mercado de trabalho dos EUA, divulgados nesta quinta-feira, aumentaram as preocupações de que a esperada redução das taxas de juros pelo Fed, prevista para setembro, possa ser insuficiente para mitigar os impactos na economia americana. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentou para o nível mais alto em 11 meses, sugerindo um afrouxamento do mercado de trabalho. Esse aumento, de 14.000 pedidos, totalizando 249.000, veio logo após o Fed sinalizar uma possível queda das taxas de juros a partir de setembro.
O presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que um enfraquecimento significativo no mercado de trabalho seria preocupante e que a instituição estaria pronta para responder a uma recessão mais acentuada, caso necessário. Analistas como Chris Zaccarelli, da Independent Advisor Alliance, preveem uma queda de 0,25 ponto percentual nas taxas na próxima reunião, mas reconhecem que cortes mais acentuados podem ocorrer se o cenário se deteriorar.
No Brasil, a decisão do Copom de manter a Selic em 10,5% ao ano reflete a preocupação com o cenário global incerto e a resiliência da atividade econômica doméstica. O comunicado do Copom destacou a necessidade de um acompanhamento diligente e cauteloso diante dos riscos inflacionários. Economistas como Igor Rocha, da Fiesp, e Paulo Gala, do Banco Master, interpretaram o comunicado como um indicativo de um cenário mais restritivo para desacelerar a economia, em meio a pressões inflacionárias e uma taxa de câmbio em desvalorização.
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