Diário de São Paulo
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Processo da Enel

Aneel deve decidir em agosto futuro de processo que pode levar ao fim da concessão da Enel em São Paulo

Diretoria da agência analisará recurso da distribuidora no dia 11 de agosto; empresa pede anulação da abertura do processo de caducidade

Além do processo regulatório, a Enel move ações judiciais contra o diretor da Aneel, mas o relacionamento institucional permanece intacto - Imagem: Reprodução/MARCO AMBROSIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Além do processo regulatório, a Enel move ações judiciais contra o diretor da Aneel, mas o relacionamento institucional permanece intacto - Imagem: Reprodução/MARCO AMBROSIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Letícia Sales Publicado em 27/07/2026, às 09h24


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve analisar, no dia 11 de agosto, o pedido de reconsideração apresentado pela Enel São Paulo contra a decisão que abriu o processo de caducidade da concessão da distribuidora. A informação foi confirmada pelo diretor Fernando Mosna, relator do caso, que participará de sua última reunião como integrante da diretoria da agência na mesma data.

A análise do recurso será decisiva para definir se o processo seguirá em andamento ou se a decisão de instaurá-lo será revista. Caso seja mantida, a medida não implica a perda imediata da concessão, mas permite a continuidade da apuração que poderá resultar, ao final, na recomendação de encerramento do contrato. Se o recurso for aceito, a Aneel poderá anular a decisão anterior ou arquivar o procedimento.

Segundo Mosna, a abertura do processo ocorreu após manifestações técnicas e jurídicas da própria agência.

“Após uma manifestação muito robusta da área técnica e muito substanciosa da procuradoria, entendeu-se que era o caso de abrir um processo de caducidade e dar um prazo para que a companhia se manifestasse”, lembrou.

O diretor afirmou ainda que decidiu aguardar a apresentação completa da defesa antes de elaborar seu voto.

“Entendi que não seria oportuno, correto ou justo pautar o processo sem ouvir a concessionária antes. O processo vai ficar para a minha última reunião de diretoria, que vai acontecer no dia 11 de agosto, de maneira que terei condições de analisar as alegações finais da empresa, ter a oportunidade, se a Enel desejar, de recebê-los para fazer reunião e expor suas razões para, assim, ter convicção para formar um voto”, disse.

Nas alegações finais, a Enel solicita que a Aneel anule a decisão que instaurou o processo de caducidade ou, alternativamente, arquive o procedimento. A distribuidora sustenta que houve falhas na motivação da decisão, mudanças nos critérios de avaliação durante a fiscalização e inconsistências na metodologia utilizada para analisar sua atuação durante eventos climáticos.

Um dos principais argumentos da empresa é que nunca existiu uma meta oficialmente estabelecida para restabelecer o fornecimento de energia após temporais. Segundo a concessionária, a referência de normalizar o serviço para 80% dos consumidores em até 24 horas teria sido apenas uma recomendação técnica, sem força contratual.

A empresa também questiona o peso atribuído ao temporal registrado em 10 de dezembro de 2025. De acordo com os dados apresentados pela própria Enel, mais de 4,2 milhões de clientes foram afetados naquela ocasião, e 80,2% tiveram o fornecimento restabelecido em até 24 horas.

Mosna ressaltou que o debate atual não envolve uma intervenção na distribuidora. Segundo ele, o que está em análise é exclusivamente o processo de caducidade, enquanto o pedido de renovação da concessão, cujo contrato termina em 2028, permanece suspenso por uma decisão liminar da Justiça de São Paulo.

Além da disputa regulatória, a Enel também adotou medidas judiciais contra o diretor da Aneel. A companhia ingressou com uma ação indenizatória, apresentou representação à Controladoria-Geral da União e encaminhou uma representação criminal à Polícia Federal. O pedido para responsabilização pessoal de Mosna, no entanto, foi rejeitado pela Justiça do Distrito Federal, que determinou o envio do caso à Justiça Federal.

Mesmo diante das ações judiciais, o diretor afirmou que o relacionamento institucional entre a agência e a concessionária foi mantido durante todo o processo.


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