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Combustíveis

Diesel dispara e chega a R$ 7,26 em meio à guerra no Oriente Médio

Dependência externa amplia os impactos da crise internacional no Brasil e preço médio do diesel sobe 6,76% em uma semana

O diesel é usado por grande parte do transporte de cargas no Brasil. - Imagem: Reprodução/AFP.
O diesel é usado por grande parte do transporte de cargas no Brasil. - Imagem: Reprodução/AFP.

Erika Osti Publicado em 20/03/2026, às 17h11


O preço do diesel voltou a subir com força no Brasil e já atinge, em média, R$ 7,26 por litro, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (20) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Em apenas uma semana, o combustível ficou R$ 0,46 mais caro, o equivalente a uma alta de 6,76%, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e ao recente reajuste aplicado pela Petrobras.

O avanço ocorre em um cenário de forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, pressionado pelos conflitos na região do Golfo, incluindo riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Como cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, o impacto externo chega rapidamente às bombas.

Além do diesel comum, o tipo S10 foi comercializado a R$ 7,35 na média nacional. A gasolina também acompanhou o movimento, com alta de 2,94%, passando de R$ 6,46 para R$ 6,65 por litro.

Dados de mercado indicam que a alta vem se acumulando desde o fim de fevereiro. Levantamento da empresa de gestão de frotas TruckPag aponta que o diesel saiu de R$ 5,74 no início do conflito para cerca de R$ 7,22 em meados de março, um salto próximo de 25%. Em algumas regiões, o avanço foi ainda mais intenso, com estados registrando aumentos superiores a 30%.

Segundo especialistas, o encarecimento do barril de petróleo no exterior tem sido repassado quase integralmente ao consumidor. Em momentos de choque, como o atual, o preço chegou a subir perto de 1% ao dia, refletindo tanto a alta internacional quanto a dependência de importações.

Medidas adotadas pelo governo, como a redução de tributos e um subsídio de R$ 0,32 por litro, ainda não conseguiram conter a escalada percebida nos postos. A defasagem entre os dados oficiais e os preços praticados também contribui para a sensação de aumento mais acelerado.

O impacto vai além dos combustíveis. O diesel é essencial para o transporte de cargas no país, e sua alta tende a pressionar os custos logísticos e, na sequência, os preços de alimentos, produtos industriais e serviços. Analistas avaliam que os efeitos sobre a inflação podem começar a aparecer nas próximas semanas, dependendo da duração e intensidade do conflito.

Ao comentar a crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a privatização da BR Distribuidora e afirmou que o controle estatal poderia garantir maior previsibilidade no repasse de preços.

Se a BR tivesse na nossa mão, teríamos a garantia de que o preço que a Petrobras aumenta ou não aumenta chegaria na bomba para o consumidor”, disse.
Especialistas apontam que o comportamento do diesel nas próximas semanas dependerá diretamente da evolução do conflito no Oriente Médio e da estabilidade nas rotas de exportação de petróleo. Caso a tensão persista ou haja interrupções mais severas no fluxo global, a tendência é de aumento dos preços.
No Brasil, o cenário também exige atenção pela dependência de importações e pela sensibilidade do setor de transportes, o que pode prolongar os impactos sobre a inflação e dificultar uma desaceleração no curto prazo, mesmo com medidas pontuais adotadas pelo governo.

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