Empresa adiou compromissos para enfrentar crise de caixa e débito com INSS chega a R$ 1,4 bilhão

Erika Osti Publicado em 13/02/2026, às 15h36
Os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações, incluindo R$ 1,44 bilhão de INSS patronal, como parte de uma estratégia para enfrentar um desequilíbrio financeiro.
Nos primeiros nove meses de 2025, a estatal teve receitas de R$ 16,94 bilhões, mas suas obrigações totalizaram R$ 20,65 bilhões, resultando em um déficit operacional estimado em R$ 2,77 bilhões.
A Diretoria Econômico-Financeira busca reduzir o prejuízo contábil de 2025 para R$ 5,8 bilhões, enquanto a situação atual levanta discussões sobre a reestruturação e a necessidade de soluções para a recuperação financeira da empresa.
Os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores, tributos federais e entidades ligadas aos próprios empregados. O montante inclui R$ 1,44 bilhão de INSS patronal e faz parte de uma política deliberada de adiamento de pagamentos adotada pela estatal para enfrentar o desequilíbrio no fluxo de caixa.
A estratégia foi implementada por um Comitê Executivo de Contingência criado em junho e vinculado à presidência da empresa. Segundo o documento interno de análise financeira., a combinação entre queda de receitas e aumento de despesas levou à adoção da chamada política de postergação, com atrasos programados no cumprimento de compromissos para tentar preservar a liquidez.
Além do INSS patronal, foram adiados R$ 732 milhões de fornecedores, R$ 545 milhões do plano de saúde Postal Saúde, R$ 457 milhões de PIS/Cofins, R$ 346 milhões do programa Remessa Conforme e R$ 135 milhões do fundo de pensão Postalis.
Os números revelam o tamanho do aperto financeiro. Nos primeiros nove meses de 2025, os Correios registraram entrada de R$ 16,94 bilhões, enquanto as obrigações somaram R$ 20,65 bilhões. De acordo com a própria estatal, se todos os pagamentos tivessem sido feitos nas datas originais, os desembolsos chegariam a R$ 19,71 bilhões, gerando um déficit operacional estimado em R$ 2,77 bilhões, acima da capacidade de cobertura com os recursos disponíveis no período.
O documento também aponta que parte da crise atual é reflexo do acúmulo de dívidas ao longo de 2024, que foram sendo empurradas e ampliaram o passivo em 2025. Em julho, as pendências somavam R$ 2,75 bilhões. Desde então, a dívida cresceu cerca de R$ 1 bilhão.
Os maiores aumentos ocorreram no INSS patronal, com alta de R$ 696 milhões, e no PIS/Cofins, que subiu R$ 249 milhões. A dívida com o Postal Saúde cresceu R$ 182 milhões e com fornecedores, R$ 80 milhões. Em pouco mais de três meses, os atrasos de PIS/Cofins mais que dobraram, e o débito com o INSS quase duplicou. Apesar do cenário adverso, a Diretoria Econômico-Financeira projeta reduzir o prejuízo contábil de 2025 para R$ 5,8 bilhões, após o terceiro trimestre fechar com resultado negativo de R$ 6 bilhões.
A situação reacende o debate sobre o futuro da estatal, que já esteve no centro de discussões sobre reestruturação e possíveis mudanças em seu modelo de gestão. Enquanto isso, o volume bilionário em compromissos pendentes reforça a pressão para que a empresa apresente soluções concretas e recupere a estabilidade financeira.
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