Chapas de um ferro velho, pedaços de uma lata de óleo vegetal, rodinhas que pertenceram a um berço e madeiras encontradas na rua. Com o botijão de gás a mais

Redação Publicado em 07/10/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h16
Chapas de um ferro velho, pedaços de uma lata de óleo vegetal, rodinhas que pertenceram a um berço e madeiras encontradas na rua. Com o botijão de gás a mais de R$100, estes itens se tornaram um fogão a lenha improvisado na casa da autônoma Gizelia e do aposentado Nivaldo Guedes, de 59 e 63 anos, que moram no Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo.
Assim como milhares de brasileiros, a pandemia atingiu em cheio a renda da família, que hoje vive apenas com a aposentadoria do Nivaldo, que é de um salário mínimo (R$1.100). Dona Zélia, como é conhecida, e o filho do casal, de 39 anos, estão desempregados.
“Ele recebe por mês R$ 820, porque ele paga dois empréstimos, então é R$ 820 para três pessoas comerem, pagar luz, pagar água, comprar gás, comprar comida e se virar”, contou Zélia. Ela ainda fala sobre os altos custos de remédios do marido, que tem angina, um problema no coração.
Com a situação apertada, dona Zélia aprendeu a fazer salgados para vender para fora. “Com essa pandemia, eu aprendi, eu entrei no tio Google, maravilhoso, que me ensinou”.
O improviso, no entanto, tem provocado mais acidentes domésticos .

No entanto, cozinhar para três pessoas e ainda assar salgados exigia um alto uso de gás de cozinha, que hoje compromete cerca de 10% da renda da família. Inspirada em outros fogões a lenha que já tinha visto na comunidade, Zélia pediu que o marido Nivaldo construísse um.
Antes de se aposentar, Nivaldo já havia trabalhado em metalúrgica e construção, atividades que lhe deram o conhecimento e habilidades necessárias para construir o fogão a lenha improvisado.
“Eu quero fazer um mais bem feito, mais para frente, para queimar menos as panelas e dar menos trabalho”, contou Nivaldo.

Ainda sem a chapa correta para o novo fogão, o fogo alto derrete as tampas e cabos das panelas. Além disso, cozinhar em fogão a lenha toma mais tempo de trabalho doméstico de dona Zélia.
“Porque tem que ficar em cima, esperando o fogão cozinhar, tem que ficar olhando porque aqui o fogo é muito alto, não tem ainda um controle da chama que tem que ser feito”, disse a autônoma.
Em seus 59 anos, dona Zélia nunca tinha cozinhado em um forno a lenha. No novo utensílio, os alimentos que mais costumam ir ao fogo são arroz, feijão e frango – quando é possível comprar.
“Carne [vermelha] ninguém come, né, eu estou com uma vontade de comer uma costela que só Jesus”, contou Zélia.
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G1
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