Contratos questionados incluem cobranças indevidas e restrições à rescisão, comprometendo a liberdade de escolha das vítimas

William Oliveira Publicado em 17/05/2025, às 13h08
Uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência foi protocolada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) contra os escritórios de advocacia Pogust Goodhead Law LTD (PGMBM) e Felipe Hotta Sociedade Individual de Advocacia. O processo busca responsabilizar as instituições por supostas práticas abusivas em contratos firmados com vítimas do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015.
A iniciativa foi elaborada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público de Minas Gerais e as defensorias públicas dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e da União. O objetivo é assegurar os direitos dos atingidos pelos impactos do desastre.
De acordo com o MPES, os contratos apresentam cláusulas que colocam em risco a compreensão e a liberdade de escolha das vítimas, comprometendo sua capacidade de decidir de forma consciente. A ação requer maior transparência e a nulidade de trechos contratuais considerados lesivos, além da garantia de que os atingidos recebam suas indenizações no Brasil sem prejuízos.
Cláusulas sob questionamento
O MPES apontou cláusulas contratuais consideradas abusivas, como:
Também foi criticada a imposição de foro exclusivo na Inglaterra e o uso de arbitragem em Londres, considerados inadequados diante da condição social dos contratantes, em sua maioria brasileiros de baixa renda e com pouco acesso à informação jurídica.
O conteúdo completo da ação civil pública está disponível online para consulta pública.
Histórico do caso
A Pogust Goodhead Law LTD (PGMBM) é um escritório britânico que move uma ação coletiva no Reino Unido contra a BHP Billiton, representando mais de 700 mil brasileiros prejudicados pelo desastre em Mariana.
O rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em 2015, liberou cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos ao longo da Bacia do Rio Doce, afetando ecossistemas e comunidades em mais de 230 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. O desastre causou 19 mortes e destruiu completamente os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu.
Reparações e desafios
A Samarco, sob controle da Vale S.A. e da BHP Billiton, assumiu obrigações financeiras expressivas, com previsão de investimentos que podem ultrapassar R$ 20 bilhões. Ainda assim, há críticas quanto à efetividade dos repasses e à participação limitada das comunidades nas decisões.
O Governo Federal propôs um novo acordo para melhorar a gestão dos recursos destinados à reparação. Contudo, milhares de atingidos continuam à espera de compensações pelos danos sofridos.
Linha do tempo da tragédia de Mariana:
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