Estudantes e movimentos sociais fizeram nesta quarta-feira (11) uma ação simbólica na cidade de São Paulo renomeando ruas e avenidas que homenageiam

Redação Publicado em 12/08/2021, às 00h00 - Atualizado às 08h25
Estudantes e movimentos sociais fizeram nesta quarta-feira (11) uma ação simbólica na cidade de São Paulo renomeando ruas e avenidas que homenageiam personalidades que tiveram atuação marcada por ações racistas e eugenistas no Brasil por nomes de personalidades negras.
A Avenida Doutor Arnaldo, na Zona Oeste, por exemplo, é uma homenagem ao médico Arnaldo Vieira de Carvalho, fundador e primeiro diretor da Faculdade de Medicina da USP. Ela foi “rebatizada” com o nome da biomédica brasileira Jaqueline Góes de Jesus, mulher negra que coordenou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do coronavírus apenas 48 horas depois da confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país.
Segundo os historiadores, Arnaldo Vieira foi um dos membros da Sociedade Eugênica de São Paulo, que defendia o fim da miscigenação como forma de “melhorar” os genes dos brasileiros.

Outra via que teve o nome alterado pelo grupo foi a Rua Amâncio de Carvalho, na Vila Mariana, na Zona Sul, que teve o nome trocado pelo da moradora de rua Jacinta Maria de Santana.
Em 1900, Jacinta teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica e utilizado em trotes estudantis no Largo São Francisco pelo próprio Amâncio, que na época era professor de medicina legal da Faculdade de Direito de São Paulo.
De acordo com a presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Letícia Chagas, aluna da mesma Faculdade de Direito da USP, a troca dos nomes dessas figuras nas placas da cidade tem o objetivo de “reavivar a discussão sobre a construção da memória da cidade”.
A ação, segundo a jovem, foi inspirada também no incêndio da estátua do Borba Gato, na Zona Sul de SP, em 24 de agosto.
“O incêndio no Borba Gato foi um marco importante nas discussões do direito à memória na cidade e no Brasil, que deve ser construída não apenas por homens brancos e elitistas, mas por toda a sociedade. Embora se discuta se colocar fogo na estátua foi uma alternativa correta ou não, a gente tem que continuar esse debate. E a renomeação das ruas é parte disso”, afirmou Letícia Chagas.

“A gente não quer reescrever a história, queremos que ela também seja contada por gente mais simples, por outro ponto de vista que não o da elite branca e masculina. O Brasil tem diversas lideranças populares que podem ser homenageadas também. Os bairros igualmente. Por que não são igualmente homenageados em nomes de rua ou monumentos?”, questiona a presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto.
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G1
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