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Meio Ambiente

Desmatamento no Brasil cresceu 20% em todos os biomas em 2021, diz estudo

Relatório aponta que o país perdeu cobertura vegetal nativa equivalente ao estado do Rio de Janeiro

Brasil perdeu 16.557 km² em área de cobertura vegetal nativa - Imagem: Freepik
Brasil perdeu 16.557 km² em área de cobertura vegetal nativa - Imagem: Freepik

Publicado em 18/07/2022, às 13h22 Mateus Omena


O desmatamento no país alcançou níveis alarmantes nos últimos anos. Mas, em 2021, o problema se agravou em 20%, aponta o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), do MapBiomas.

O levantamento também afirma que houve grandes perdas de cobertura de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros, em uma dimensão de 16.557 km².

Entre 2019 e 2021, o país também perdeu uma área quase equivalente ao Estado do Rio de Janeiro em vegetação. Neste cenário, a velocidade média de desmatamento no país também registrou crescimento, partindo de 0,16 hectares por dia para cada evento detectado em 2020, para 0,18.

Por outro lado, o estudo indica que a Amazônia é o bioma mais penalizado pelos crimes ambientais, pois apenas na floresta foram perdidos 111,6 hectares por hora para o desmatamento ou 1,9 hectare por minuto, o que equivale a cerca de 18 árvores por segundo, alerta o documento.

Estima-se que a agropecuária seja a principal responsável pelas devastações em todas as regiões do país, com percentuais acima de 97%. O RAD também indica que existem outros importantes vilões do meio ambiente, entre eles destacam-se o garimpo, a mineração e a expansão urbana.

“97% dos desmatamentos em geral aconteceram por conta da conversão da floresta para atividade agropecuária, seja pecuária, seja agricultura. Depois vem o garimpo, o segundo grande motivo”, diz o relatório.

No entanto, os alertas de desmatamento que cruzam com imóveis rurais que estão no Cadastro Ambiental Rural (CAR) correspondem a 77% da área total.

“Em ao menos três quartos dos desmatamentos, é possível identificar o dono ou o responsável, porque está no cadastro (CAR). Então deveria ter as ações sobre eles. O que vemos é que não existe da direção do órgão ambiental no nível federal a vontade de enfrentar esse problema de frente”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Foi percebido também desmate irregular em 2,1% das propriedades rurais (134.318 mil). “Os outros 98% não desmatam irregularmente, mas sofrem consequências do mercado, chuvas e o aumento dos preços de energia (causados pelo dano ambiental)”.

Do total desmatado, 5,3% estavam em áreas protegidas, 3,6% em unidades de conservação e 1,7% em terras indígenas.

Ampla devastação

Em dados brutos, a Amazônia é o bioma com maior território afetado: 59% do total. Além disso, 66,8% dos alertas de desmatamento em 2021 estavam relacionados à floresta.

Em segundo lugar, vêm o Cerrado (cerca de 30%), Caatinga (7%), Mata Atlântica (1,8%), Pantanal (1,7%) e Pampa (0,1%). Mas, os biomas que registraram as maiores altas em um ano foram a Caatinga (89%) e o Pampa (92%).

Amazônia e Cerrado representam 89,2% da área desmatada em 2021. Somando a Caatinga, os três biomas responderam por 96,2% das perdas.

“Foram mais de 997 mil hectares de vegetação nativa destruídos no ano passado – um crescimento de quase 15% em relação aos 851 mil hectares desmatados em 2020 que, por sua vez, já haviam representado um aumento de 10% em relação aos 771 mil hectares de desmate em 2019”, indica o relatório.

O Pará foi o estado que mais desmatou em 2021. Amazonas aparece em segundo lugar, Mato Grosso em terceiro, seguido do Maranhão e Bahia. Os cinco estados, juntos, responderam por 55% do desmatamento no Brasil em 2021.

O relatório também alerta que a maioria dos crimes ambientais não são fiscalizados ou punidos. Os embargos e autuações federais são aplicados apenas em 10,5% da área desmatada, entre 2019 e 2021.

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