Decisão que tira os poderes políticos da estrangeira como acionista minoritária segue valendo por indícios de práticas anticoncorrenciais

por Marina Milani
Publicado em 27/11/2024, às 21h09
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negou o pedido da Paper Excellence para suspender uma decisão anterior do órgão que proibiu a empresa indonésia de exercer os direitos políticos de acionista minoritária na Eldorado Brasil Celulose.
A empresa brasileira alega no Cade que a Paper prejudica o mercado de celulose ao utilizar seus direitos de acionista minoritária para prejudicar a própria companhia, o que levou o órgão a suspender todos os direitos políticos da estrangeira no último dia 18. A Paper Excellence já não votou em uma assembleia de acionistas da Eldorado realizada ontem.
Em decisão publicada na segunda-feira (25), o conselheiro relator do processo no Cade, Victor Oliveira Fernandes recebeu um recurso da Paper Excellence contra a decisão do órgão, mas negou o efeito suspensivo solicitado pela empresa, mantendo a decisão de suspender todos os direitos políticos da acionista.
A Paper Excellence detém 49,41% do capital da Eldorado desde 2017 e disputa com a J&F Investimentos, sócia controladora, a totalidade das ações da empresa de celulose.
Entenda o caso
Na reclamação apresentada, a Eldorado alega que a Paper Excellence utiliza a posição de acionista minoritária para prejudicar a própria companhia, afetando negativamente o mercado de celulose. A brasileira alega que a estrangeira cria dificuldade para a obtenção de financiamentos, causa prejuízos e obstrui os investimentos na expansão da capacidade produtiva.
Com essas ações, alega a Eldorado, a Paper Excellence causaria restrição da oferta de celulose no mercado, com consequente aumento de preço do produto. A indonésia também teria acesso a informações “concorrencialmente sensíveis” da Eldorado e praticaria enfraquecimento de concorrente, uma vez que planeja construir uma fábrica própria de celulose no Mato Grosso do Sul ou em Minas Gerais.
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