
Adriana Galvão Publicado em 17/10/2023, às 05h53
A desumanidade que se vê hoje no Oriente Médio revolta e comove, mas não surpreende. Por quê? As décadas de conflitos de motivações várias - geopolíticas, religiosas, territoriais - parecem fazer com que o restante do mundo olhe para Israel e a Palestina como palcos sempre propícios ao horror. As ações pela paz são tímidas, a Organização das Nações Unidas, até o momento em que este artigo era escrito, não demonstrou força necessária para mediar negociações que levem ao cessar-fogo.
O repúdio ao cruel ataque do Hamas ao território israelense foi praticamente unânime. O terror dos bombardeios efetuados pelos radicais completou-se pelo sequestro de civis, como o intuito de que sirvam de escudo contra o revide de Israel, o qual o contra-ataque também não poupa alvos civis, destruindo instalações de água e saneamento, hospitais, escolas e moradias. A cidade de Gaza está cercada e seus habitantes padecem com a interrupção do fornecimento de água, energia, alimentos e medicamentos. Há milhares de mortos dos dois lados.
Não há hipótese de solução definitiva para a contenda Israel-Palestina que desconsidere a coexistência de dois Estados globalmente reconhecidos. Existe empenho nessa direção, sazonalmente frustrado por surtos de violência, fazendo-nos duvidar da capacidade evolutiva da civilização. Em paralelo à última Assembleia Geral da ONU, ocorreu uma reunião entre 50 ministros de Relações Exteriores em busca de uma saída pacífica para a questão palestina. Projetou-se então um “pacote de paz” a ser oferecido a palestinos e israelenses.
Não se busca justificar o terrível ataque do Hamas a Israel, a contextualização histórica do fato é obrigatória. Na última década, Israel guerreou contra o Hamas três vezes - em 2009, 2012 e 2014, deixando um saldo de 2.500 civis palestinos mortos. Já o Hamas foi o grupo que mais matou civis israelenses na História. É como se vigorasse entre israelenses e palestinos um pacto de destruição mútua.
Qualquer análise da situação atual na região, contudo, deve considerar que em Gaza vivem em condição de semi-aprisionamento 2,4 milhões de pessoas, metade das quais desempregada e com padrão de subsistência precário. Pessoas, certamente, acometidas de um sentimento de revolta latente, portanto pronto para explodir.
Não nos cabe apontar culpados pela situação desesperadora em que se encontram hoje as populações palestina e israelense - culpado é o tipo de civilização que criamos, incapaz de promover o convívio fraterno entre os povos. Cabe-nos, isto sim, cobrar com veemência dos organismos internacionais e das lideranças globais iniciativas que efetivamente levem à paz e tragam algum avanço humanitário para o Oriente Médio. O homem criou a inteligência artificial, mas ainda não se mostrou inteligente o suficiente para conceber um mundo sem guerra.
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