
por Maria De Carli
Publicado em 09/03/2024, às 06h45
O Brasil é um país onde mais da metade da sua população (51,13%) é feminina. As mulheres representam cerca de 53% do eleitorado, e ocupam, em média, apenas 15% dos cargos eletivos.
Neste importante ano eleitoral e com o recente dia da mulher, vale a pena refletirmos sobre a importância de termos mais mulheres na política e entendermos seu impacto positivo para o desenvolvimento da nossa sociedade como um todo.
Primeiramente, é preciso entendermos algumas variáveis que impactam na participação feminina na política. Um mecanismo que é bastante efetivo é a adoção de ações afirmativas, tanto em eleições quanto em mandatos.
No Brasil, desde 2010 o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tornou obrigatória em 30% a participação de candidatas mulheres nas eleições. Pela obrigatoriedade, essa cota é atingida em campanhas, porém em mandatos, essa porcentagem está longe de ser bem-sucedida. O problema é que não existem ações afirmativas para mulheres mandatárias. Estudos afirmam que se tivermos reservas de assentos de pelo menos 30% de mulheres nas câmaras municipais, teremos um ganho de aproximadamente R$ 300 bilhões na economia até 2077, isso porque, segundo estudos de economia comportamental, mulheres na política tendem a ser menos corruptas e investem mais em programas sociais.
Além da falta de ações afirmativas, existem outras dificuldades que atrapalham a plena participação feminina na política, como, a falta de financiamento de campanhas. Apesar da obrigatoriedade do repasse de 30% do fundo eleitoral para as mulheres, muitas vezes esse dinheiro não chega para as candidatas, isso ocorre pela falta de priorização, pela falta de capital político e se desfaz com as conhecidas “candidaturas laranja”.
Um outro agravante é a falta de apoio técnico e de aprendizado para que as mulheres possam ter campanhas verdadeiramente competitivas. Pelo fato de muitas dessas candidatas serem iniciantes na política, elas ainda não estão familiarizadas com o processo eleitoral. Por isso, é importante o papel de iniciativas que apoiem essas candidaturas femininas em todo o processo eleitoral.
Todas essas dificuldades se somatizam a questão da violência política. Por definição, considera-se, violência política contra a mulher toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher. Dados recentes de um estudo da União Interparlamentar, indicaram que cerca de 82% das deputadas de 39 países já sofreram alguma violência psicológica no exercício do trabalho.
A questão da falta de participação feminina na política em nossa sociedade é também cultural e ideológica, e é exacerbado pelo fator institucional que reflete anos de falta de equidade de gênero em quase todas as esferas econômicas e sociais.
O impacto positivo de mais mulheres na política transcende todas as áreas. Estudos comprovam que quando as mulheres possuem maior representatividade política, mais recursos são investidos em saúde e educação, dois dos pilares centrais para a melhoria na qualidade de vida de uma população.
No Brasil, foi constatado que o aumento da representatividade da mulher reflete numa menor taxa de mortalidade infantil. As mulheres são motivadas principalmente por investimentos substanciais em programas sociais e de atenção primária à saúde.
O que falta é mais motivação para que elas ocupem cargos políticos, para isso é preciso que haja um reforço conjunto de todos para revertermos essa lacuna. Nesse sentido: apoiar iniciativas que incentivem mais mulheres na política; cobrar maior transparência e fiscalização dos repasses partidários; condutas que ampliem participação feminina; mais ações afirmativas que ampliem cotas em parlamentos, e, principalmente, capacitarmos e votarmos em mulheres competentes.
O Brasil é repleto de mulheres competentes e capacitadas em todas as áreas e setores, é importante que elas tomem o seu lugar, não apenas de direito, mas, mais, do que merecido em nossa política.
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