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COLUNA

Tarcísio no Caminho do Planalto: o Homem da Locomotiva Brasileira

Governador de São Paulo surpreende ao levantar boneco de Bolsonaro, sinalizando suas ambições políticas para 2026 - Imagem: Reprodução | YouTube
Governador de São Paulo surpreende ao levantar boneco de Bolsonaro, sinalizando suas ambições políticas para 2026 - Imagem: Reprodução | YouTube
Agenor Duque

por Agenor Duque

Publicado em 26/08/2025, às 08h36


Barretos se transformou, no último fim de semana, em mais do que uma festa tradicional do interior paulista. O palco da 70ª Festa do Peão virou também um palanque simbólico para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que surpreendeu ao levantar um boneco de Jair Bolsonaro diante da multidão. O gesto foi interpretado como um recado político direto: sua ligação com o ex-presidente permanece inabalável e, se depender dele, será o grande alicerce de um projeto nacional em 2026.

Nos bastidores, Tarcísio já admite algo que até pouco tempo negava: a possibilidade de disputar a Presidência da República. Até recentemente, afirmava estar concentrado em sua missão de governar São Paulo. Agora, a narrativa mudou. A declaração em Barretos, defendendo Bolsonaro como vítima de “uma grande injustiça”, soou como a senha de que está disposto a assumir o protagonismo político. Caso confirme sua candidatura, terá de deixar o Palácio dos Bandeirantes em abril de 2026, como exige a lei eleitoral.

O ponto central é que Tarcísio não chega como um aventureiro da política. Pelo contrário: traz a experiência técnica de quem já foi ministro da Infraestrutura, responsável por destravar concessões estratégicas em rodovias, ferrovias e portos, e que hoje comanda o estado mais poderoso do Brasil. Não é por acaso que ele repete: “São Paulo é a locomotiva da economia nacional”. E os números dão razão. Se fosse um país independente, São Paulo figuraria entre a 20ª maior economia do mundo, superando nações inteiras em PIB.

Esse desempenho reforça a ideia de que Tarcísio pode ser o nome capaz de equilibrar ética, gestão e desenvolvimento. Longe dos escândalos que corroem a confiança em boa parte da classe política, o governador construiu uma imagem de seriedade. Seus aliados apontam que o estilo é discreto, mas firme; técnico, mas próximo da população. A postura de engenheiro que fala pouco e entrega resultados parece seduzir tanto o empresariado quanto setores conservadores e moderados.

A simbologia de Barretos também não passou despercebida. Ao lado dos governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), Tarcísio deu mostras de articulação nacional. A leitura é clara: a direita prepara um cardápio de nomes para 2026, mas o pacto é de unidade no segundo turno. No fundo, todos sabem que a base bolsonarista ainda possui peso eleitoral suficiente para impulsionar um candidato competitivo.

O gesto do boneco, portanto, não foi uma encenação folclórica, mas um movimento calculado. Representa fidelidade ao padrinho político, ao mesmo tempo em que posiciona Tarcísio como sucessor natural, caso o ex-presidente não consiga retornar à disputa. O impacto foi imediato: a plateia em Barretos reagiu com entusiasmo, enquanto analistas políticos passaram a incluir o governador entre os presidenciáveis viáveis.

A polêmica, inevitavelmente, acompanha a cena. Críticos argumentam que Tarcísio deveria focar exclusivamente em São Paulo. Já seus defensores destacam justamente o contrário: o histórico de gestor ético e eficiente é o maior cartão de visitas para que ele leve ao Brasil a mesma seriedade que aplicou no estado. A locomotiva paulista, se conectada ao Planalto, poderia reacender o projeto de crescimento sustentável em nível nacional.

Assim, entre aplausos de peão e projeções de mercado, a imagem do governador segurando o boneco de Bolsonaro já entrou para a galeria de momentos políticos do ano. Para seus apoiadores, um prenúncio de que o país pode ganhar em 2026 não apenas um candidato, mas um gestor com histórico comprovado de resultados. Resta saber se o trem da locomotiva paulista está pronto para avançar até Brasília.


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