
por Agenor Duque
Publicado em 23/04/2025, às 11h32
Se há um traço que marca o pontificado de Francisco, é a polêmica. Desde sua eleição, o papa argentino rompeu com tradições, causou divisões dentro da própria Igreja e enfrentou líderes mundiais, tornando-se uma das figuras mais controversas da história recente do Vaticano.
Entre suas decisões mais controversas, Francisco defendeu a possibilidade de bênçãos a casais homoafetivos, manifestou apoio à integração de transgêneros na Igreja e relativizou práticas litúrgicas tradicionais, o que causou grande revolta entre católicos ortodoxos e conservadores. Para muitos cristãos, essas posições afrontam princípios bíblicos imutáveis e enfraquecem a doutrina histórica da fé cristã.
Os conflitos extrapolaram os muros da Igreja. Nos Estados Unidos, Donald Trump reagiu com dureza a Francisco após o papa criticar a construção de muros na fronteira com o México, dizendo que “quem ergue muros não é cristão”. Trump chamou a fala de “vergonhosa” e acusou o papa de agir sob interesses políticos.
Na Argentina, seu país natal, Francisco foi alvo de ataques ainda mais duros. Javier Milei, antes de ser eleito presidente, classificou-o como “representante do maligno na Terra” e “idiota que prega justiça social”. Mais tarde, numa manobra diplomática, Milei buscou reconciliação, mas a mágoa histórica entre setores argentinos e o pontífice permanece.
No Brasil, Jair Bolsonaro também entrou em rota de colisão com o papa, especialmente após críticas de Francisco à devastação da Amazônia. Bolsonaro rebateu afirmando que “a Amazônia é nossa” e questionou a autoridade do papa para opinar sobre a soberania brasileira.
Com Vladimir Putin, o embate foi silencioso, mas profundo. Durante a guerra na Ucrânia, Francisco condenou o que chamou de “imperialismo agressor”, sem citar diretamente a Rússia, mas deixando clara sua oposição. Putin, por sua vez, acusou o Vaticano de aderir à narrativa ocidental.
Internamente, o papa também protagonizou batalhas intensas. Abriu guerras contra conservadores ao restringir o uso da missa em latim, defender acolhimento incondicional de migrantes e tentar reformar o governo da Igreja. Foi chamado de “progressista” por uns e de “traidor da fé” por outros.
Setores tradicionais da Igreja Católica ainda hoje o acusam de diluir verdades bíblicas em nome de um relativismo moral, aproximando o Vaticano de agendas globalistas que pouco ou nada dialogam com os valores cristãos históricos.
Assim, o papa Francisco ficou conhecido não apenas como um líder religioso, mas como um ator político global, que dividiu fiéis, enfureceu chefes de Estado e abriu feridas profundas dentro da própria Igreja.
A história provavelmente o registrará como o “papa das confusões”: amado por alguns, rejeitado por muitos, símbolo de uma era de choque entre tradição e modernidade, fé e ideologia.
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