
por Agenor Duque
Publicado em 06/10/2025, às 09h16
Tel Aviv. O Oriente Médio parece reviver o mesmo pesadelo. Às vésperas de 7 de outubro, data que marca um ano do massacre do Hamas contra Israel, o medo voltou a tomar conta das ruas, das redações e até dos noticiários. Durante uma transmissão ao vivo, um jornalista árabe interrompeu sua cobertura tomado pelo pânico ao ver o céu se iluminar com novas explosões. A imagem, reproduzida por diversas emissoras, tornou-se o símbolo de uma região que vive em estado permanente de tensão.
O cessar-fogo assinado em 24 de junho de 2025 entre Israel e Irã nunca passou de um acordo frágil. Nas últimas semanas, Tel Aviv teria ordenado novos ataques contra instalações nucleares iranianas. Teerã reagiu com o lançamento de drones e mísseis. O que se chama de trégua, na prática, foi apenas um intervalo entre dois confrontos. “Explosões no horizonte, sirenes em toda parte, pessoas fugindo”, descreveu o jornalista antes da transmissão ser abruptamente cortada, um silêncio que denunciou mais do que qualquer palavra.
Fontes do Council on Foreign Relations afirmam que o cenário pode se agravar a qualquer momento, envolvendo aliados regionais como o Líbano e a Síria. Segundo a PBS NewsHour, Washington tenta conter o avanço da crise, mas teme que a escalada comprometa negociações delicadas que envolvem os reféns israelenses ainda sob poder do Hamas.
O Irã, por sua vez, mergulhou em um clima interno de paranoia. A Al Jazeera confirmou a execução de Bahman Choobiasl, acusado de espionagem para o Mossad. Organizações de direitos humanos denunciam tortura e manipulação de provas. Em Teerã, basta um rumor de colaboração com Israel para alguém desaparecer de um dia para o outro. É a face invisível da guerra, a que se trava nas sombras.
Em Israel, o governo busca mostrar força. O sistema Iron Dome intercepta parte dos ataques, mas analistas alertam que se o confronto se expandir o escudo aéreo pode não suportar. O exército mantém prontidão máxima, enquanto as famílias das vítimas do 7 de outubro vivem entre a dor e a esperança. Segundo dados oficiais, 128 reféns ainda permanecem em cativeiro na Faixa de Gaza. Diplomatas americanos negociam um novo acordo de libertação, mas as conversas são lentas e envolvem pressões políticas de todos os lados.
De acordo com o Wikipedia War Tracker, mais de trinta ataques e sabotagens foram registrados desde julho, apesar do cessar-fogo formal. A Cruz Vermelha estima cerca de 60 mil deslocados e dezenas de civis feridos em ações recentes. Os números confirmam o que todos sabem, mas poucos admitem: não há paz no Oriente Médio, apenas intervalos entre as guerras.
A imagem do jornalista árabe em pânico, o rosto suado, a voz trêmula, expressa o que milhões sentem em silêncio. O medo é o idioma comum entre israelenses e iranianos. E enquanto o mundo observa à distância, o Oriente Médio continua implorando por algo que há muito perdeu: o direito de viver um dia comum.
Ass.: Agenor Duque
O Diário de São Paulo
Leia também

Má gestão na saúde coloca vidas em risco: crise da GEAP deixa servidores sem atendimento e amplia sensação de abandono

Eduardo Moura gera repercussão após declaração sobre conteúdo ilegal em debate

Carro fica pendurado em mureta após acidente em viaduto na Zona Oeste de São Paulo

Justiça mantém preso motorista que atropelou e matou coletor de lixo na Barra Funda

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

Governo de SP adia início do pedágio eletrônico na Anchieta-Imigrantes após protestos de moradores

Grupo Hapvida lança a marca NotreDame Saúde

Justiça mantém preso motorista que atropelou e matou coletor de lixo na Barra Funda

Moraes cobra explicações sobre falhas em tornozeleira eletrônica de Débora Rodrigues

Carro fica pendurado em mureta após acidente em viaduto na Zona Oeste de São Paulo