
por Agenor Duque
Publicado em 08/12/2025, às 08h30
A possível indicação de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência reacendeu um alerta entre analistas políticos. Segundo levantamentos recentes, não se trata de opinião, mas de matemática eleitoral. A escolha pode facilitar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Hoje, o Brasil se divide assim: 33% se identificam com a esquerda ou lulismo, 35% com a direita ou bolsonarismo, e 31% são independentes. É justamente esse grupo que decide eleições polarizadas, pois evita candidatos de alta rejeição e costuma optar por nomes moderados.
Nas disputas anteriores, Lula compreendeu essa lógica ao atrair aliados que sinalizavam equilíbrio, como José Alencar em 2002 e Geraldo Alckmin em 2022. É nesse ponto que surge o problema para a direita. Flávio Bolsonaro tem 52% de rejeição, índice que praticamente impede sua aproximação do eleitorado independente. Já Tarcísio de Freitas, também cotado, tem rejeição de 38%, o que amplia o alcance eleitoral e melhora as chances de vitória.
O reflexo desse cenário apareceu imediatamente no mercado financeiro. Após a sinalização do nome de Flávio, o dólar subiu 2,4% e a bolsa caiu 4,3%. A leitura dos investidores foi direta: aumentou a probabilidade de Lula vencer, e por isso houve movimento para ativos mais seguros e saída de capital.
A questão, porém, vai além da economia. Hoje, cinco dos onze ministros do STF foram indicados pelo PT: Toffoli, Dino, Zanin, Fachin e, em breve, Jorge Messias. E mais três aposentadorias estão previstas entre 2028 e 2030: Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Se Lula vencer em 2026, poderá indicar oito dos onze ministros, formando 73% da Corte.
Outro movimento relevante foi o pedido para que José Dirceu seja candidato a deputado federal em 2026. Se eleito, poderá disputar a presidência da Câmara, o que consolidaria um alinhamento institucional raramente visto na história política recente. Presidência da República, STF e Câmara dos Deputados sob influência direta de um único grupo político criariam um domínio prolongado e difícil de reverter.
O alerta é simples. Não se trata de gostar ou não de Flávio Bolsonaro, mas de escolher alguém que realmente tenha condições eleitorais de vencer o PT. A decisão errada agora não compromete apenas 2026, mas pode definir o rumo das próximas décadas.
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